Artesanado de Palha de milho, da cidade de Redenção da Serra. Artesã Giselda. Fotografia de Reinaldo Meneguim

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A Face Recatada

”Onde há vida popular razoavelmente articulada e estável, há sempre uma cultura tradicional, tanto material quanto simbólica, com um mínimo de espontaneidade coerência e sentimento, se não consciência, de sua identidade.“
Alfredo Bosi

O presente mapa busca dar uma ideia da diversidade e distribuição das manifestações de folclore/cultura popular em São Paulo, universo cultural dinâmico que resiste aos tempos e se renova. Nem mesmo a industrialização e a urbanização, ou mesmo as últimas investidas massivas das grandes redes de comunicação e da indústria cultural, foram capazes de assinalar de vez o fim das expressões culturais identitárias, como se preconizava tempos atrás. As manifestações populares, de modo geral, mudam de nome, adaptam-se aos novos tempos, novas situações, ganham apelidos – mas nunca desaparecem. As formas mais espontâneas de divertimentos e expressão de contentamento, de religiosidade, as soluções caseiras para os problemas e dificuldades que se apresentam no dia a dia não foram descartadas.

As manifestações nele assinaladas foram pinçadas no domínio da tradicionalidade, e contempladas não como simples sobrevivências do passado, mas como resultantes do aprendizado que se dá pela interação social, possuindo dinâmica própria, transformando-se, atualizando-se, de forma lenta, fora do ritmo vertiginoso das expressões massivas, não importando o nome que se lhe queira dar. Cultura, viva e dinâmica, por meio da qual se exprime a vida do homem e que diz respeito aos modos de ser, viver, pensar e se expressar de extensa parcela dos paulistas e paulistanos de todas as classes sociais, um grande número de práticas culturais estruturadas em suas vivências quotidianas e em suas manifestações simbólicas. Constituindo-se numa faixa cultural fora do âmbito das instituições de ensino, da cultura escolar e da cultura para as massas. Uma faceta de São Paulo, a que chamamos de recatada, desconhecida de todos, e que aos poucos vimos revelando.

Para dirimir dúvidas citamos as Festas. Foram contempladas aquelas de motivações profanas ou religiosas que se mantêm em função da cooperação de toda uma comunidade, organizadas com a participação também de toda a comunidade: São as “festas que o povo se dá”, no dizer de Peter Burke. Fatos sociais complexos, conjuntos de cerimônias, de rituais coletivos, em que se inserem de forma espontânea os nossos folguedos, e em que durante sua realização as pessoas não são meros observadores, consumidores, mas sujeitos das ações. As comunidades se envolvem em todas as suas etapas: na preparação, durante a fase cerimonial/ desfrute (ao mesmo tempo de fruição e de atuação), no rescaldo e retorno à rotina.
Todas as informações contidas neste mapa, de nossa inteira responsabilidade, foram coletadas em campo ou em várias formas de trocas/ contatos com pessoas das comunidades envolvidas e foram checadas durante sua preparação.
Muitas outras poderiam ter sido incluídas (pesca e outras atividades de coletas artesanais, formas de transporte, outras expressões de religiosidade popular, peculiaridades da culinária, formas culturais assimiladas pela interação com migrantes e imigrantes).

Optamos pela tranquilidade, para melhor examiná-las e incluí-las em momento oportuno, conferindo, assim, uma certa dinâmica: estará sempre demandando atualização pela empreita de novas pesquisas de campo, que devem estar sempre na ordem do dia.

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