Abaçaí Cultura e Arte

48 anos de amor à arte e à cultura de nosso povo!

Capa da Tese Abaçaí Cultura e Arte: Caminho e trilhas de um Programa de Ação Cultural – Uma Perspectiva Includente (um estudo de caso) Apresentada como exigência parcial para a obtenção do título de Doutor em Ciências da Comunicação ao CCA da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. 2004

“…há pelo menos dois modos de considerar um caminhar, e cada um deles tem suas próprias consequências éticas. O primeiro consiste em levar em conta apenas o ponto de chegada. É o que poderíamos chamar de ‘viagem de resultados.’O que interessa é o ponto final.No segundo, o interesse maior está voltado para o trajeto, isto é, para o processo. Diz-se então que o caminho se faz ao caminhar, desvela-se à medida em que o percorremos.

No primeiro caso estamos preocupados com um ponto, com uma coisa. No segundo interessa-nos um processo. Na primeira circunstância abrevia-se o mais possível o caminho, porque ele não interessa. Na segunda, busca-se a experiência do trajeto.” Humberto Mariotti – Ciência cognitiva e experiência humana


48 anos de atividades polimorfas

A Abaçaí é uma instituição de atuação diversificada, que, em suas quase cinco décadas de existência, tem mantido uma ação contínua na valorização da arte e a cultura do povo brasileiro, nas suas diferentes vertentes.

Teve origem em 1973,  na Escola Estadual de Primeiro Grau Stefan Zweig, na Zona Leste de São Paulo, onde Toninho Macedo, seu fundador, lecionou Língua Francesa no período de 1969/1973, e teve a chance de, durante os intervalos para almoço e com o apoio da Direção, desenvolver na quadra da escola, atividades extracurriculares, e voluntárias, que pudessem contribuir para o crescimento interior, social e estético das pessoas envolvidas naquele microcosmo escolar, e com reflexos na comunidade circunstante; atividade com implicações múltiplas, como a preconizada por Mário de Andrade (“Arte e Ação”), e teorizada e posta em prática por Paulo Freire (Ação cultural para a liberdade), tendo, então, como eixo gravitacional o teatro.

E sua escolha como atividade catalisadora das ações e propósitos da Abaçaí, não foi aleatória, uma vez que “é bastante antiga a convicção de que o teatro apresenta grandes possibilidades educativas – não só como arte a que assistimos, mas também como atividade de que participamos. Os próprios religiosos (lembremos Anchieta, no Brasil) fizeram largo uso do teatro como meio da educação”, como nos aporta Maria Antonieta Antunes da Cunha, lembrando-nos ainda que o teatro “é, sem dúvida, uma das experiências artísticas mais completas que podemos oferecer à criança e ao adolescente: reunindo muitas vezes literatura, música, canto, dança, cores e formas ligadas de modo muito especial, facilmente prende e sensibiliza a todos”.

Completando, prossegue ainda a artista educadora: “O grande interesse do aluno pela atividade e os resultados dela, em termos de socialização, desenvolvimento de sensibilidade e de linguagem, nos fazem acreditar que deve o teatro ser uma constante na vida da Escola”. (CUNHA, 1977)

“Neste sentido, a pedagogia que defendemos, concebida na prática realizada numa área significativa do Terceiro Mundo, é, em si, uma pedagogia utópica. Utópica, não porque se nutra de sonhos impossíveis, porque se filie a uma perspectiva idealista, porque implicite um perfil abstrato de ser humano, porque pretenda negar a existência das classes sociais ou, reconhecendo-a, tente ser um chamado às classes dominantes para que, admitindo-se em erro, aceitem engajar-se na construção de um mundo de fraternidade”. (FREIRE, 1982).

A Abaçaí tem grande história no estado de São Paulo pela realização de grandes festivais de cultura tradicional e folclórica e de seu famoso Revelando São Paulo. Atualmente, além de gerir o Museu da Inclusão e a Fazenda São Bernardo, onde Tarsila do Amaral nasceu e passou a infância, está em constante articulação com os diversos seguimentos culturais.

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