Artesanado de Palha de milho, da cidade de Redenção da Serra. Artesã Giselda. Fotografia de Reinaldo Meneguim

Trançados

ic_tracadosA cestaria do Vale do Ribeira e do Litoral (N e S), com a utilização de cipós encontráveis nos remanescentes da Mata Atlântica, em especial o timbopeva e o imbé, e a taquara, Com os quais fazem de um tudo para atender às necessidades das lides diárias na casa e na pesca (cestos, balaios, apás, covos, Jacás). A finura da trama e a beleza de muitas peças despertam sempre grande interesse nos visitantes.

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Covo de duas bocas

Iguape

Os covos são armadilhas apropriadas para a pesca de espera nas movimentadas águas de rios e ribeirões. Da tradição de nossos indígenas, bem como de tradição de outros povos mundo afora, existem em modelos diversos: alguns têm formato de caixas retangulares. Outros de caixa afuniladas.

Possuem entradas (chamadas boca), que só permitem a passagem do peixe de fora para dentro, sem condições de saída, e dispositivo para despesca e colocação da isca.

Devem ser sempre colocadas na beira no meio das raízes, das algas, do capim, onde o peixe costuma se entocar. Um pescador geralmente tem vários.

Podem ser feitos de taquara do reino, timbopeva e outros tipos de cipós e ou bambu.

Feito de bambu, o modelo apresentado na foto possui a particularidade de duas bocas, possibilitando a captura por ambas as extremidades.

Foto – T. Macedo

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Dona Darlúzia (Iporanga)

Demonstrando como se retira e se prepara a fibra da embaúba, de tanta serventia para o seu dia a dia e para o preparo de artesanato. Ensinou-me vários procedimentos importantes para o seu viver e o da comunidade. Possuía uma inteligência aguda. Perguntei-lhe, por diversas vezes sobre as violas e o fandango no bairro.

Até que:

– Dona Darlúzia. Mas e o fandango? E as violas?

– AH, meu fio! Isso tudo se acabô-se.

– Mas como pode ser isto, D. Darlúzia?

– AH! son os crente! Esses crente son tudo loco d’ abusante.

Foto:TM- Betari – Iporanga, 1986

Referia-se ela à grande investida que as igrejas neo-pentecostais então vinham fazendo nas comunidades do Vale do Ribeira. Como sinal de conversão e garantia de permanência, propagação da doutrina, os pastores ordenavam a destruição das violas, as indutoras do fandango. Contam que, certa feita, foi intimada para depor em Apiaí, como testemunha em um certo caso. E lá também, num Tribunal, a inteligência e a perspicácia de D. Darlúzia brilharam.

Henrique Jorge (Cananéia)

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Henrique Jorge, de Cananéia, demonstrando como se prepara o imbé para os trançados. Ao lado um cesto já trabalhado.

Foto: TM- 1986

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Fotos: TM- 1986

– À esquerda, D. Antônia, moradora em Cananéia, oriunda da Tanchera (bairro da Trincheira), uma antiga comunidade isolada. Fazia trançados os mais diversos, com preferência pelos de taquara.

– À direita, de Paricueraçu, Maria Eugênia da Silva Dias – cesteira; lida com a taquara, mais intensamente há 8 anos, desde que se mudou para o bairro. Aprendeu olhando o marido fazer. Também o marido, já falecido, trabalhava com taquara.

Importante

Frequentemente as funções artísticas e utilitárias, a arte e o artesanato, se entrecruzam, gerando produtos que acabam por confundir a razão primeira de sua produção e destinação. É o que veremos a seguir.

Enedina Coelho (Ariri)

Na sequência, apás confeccionadas em taquara por Enedina Coelho, no Ariri, bairro de Cananéia, em que são evidentes traços de ancestralidade indígena, evidenciados nos detalhes de suas tramas.

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Armando Teixeira (Ariri)

Também no Ariri encontramos Armando Teixeira, que se aplica com total esmero nos menores detalhes

de sua produção artesanal, de cestas de vários tamanhos, a abanos e vassouras. Mudo desde a infância, supera-se na forma de lidar com meticulosidade e delicadeza, na manipulação dos materiais mais simples. Cada peça sua é uma verdadeira obra de arte.

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Cestas confeccionadas com imbé, e detalhes do que seria uma simples vassoura de timbopeva.

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Cestaria das comunidades tupi e guarani do Litoral Paulista (Norte e Sul de São Paulo).

Material: taquara

Tintura: tinta Guarani

Fotos: Rogério Amorim

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Nele Alice de Oliveira (Guapiara- Alto Ribeira)

Guapiara (gua- piarã = do fundo do vale ou da baixada; o que jaz no fundo ou ocupa o fundo da cavidade – Teodoro Sampaio), na direção do Alto Ribeira, é um pequeno município à margem da Estrada do Guapiara (esta seguramente o traçado mais preservado do antigo Caminho do Peabiru, em São Paulo). Nele Alice de Oliveira preserva espécies raras de milhos, com cuidados próprios de um geneticista.

Com as palhas tece as mais variadas peças de formatos diversos. Ao contrário do “artesanato de palha”

que se vulgarizou e se propalou pelas mãos de tantos “especialistas”, esbanja criatividade e censo estético sem apelar para tinturas, valorizando as colorações naturais de cada tipo de milho.

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Trançados em timbopeva

Vale do Ribeira

Conjunto de cestas e balaios característicos em todo o Vale do Ribeira e região do Lagamar. É impar a cestaria do Vale do Ribeira e do Litoral (N e S), com a utilização de cipós encontráveis nos remanescentes da Mata Atlântica, em especial o timbopeva, o imbé e vários tipos de taquaras.

Com os mesmos são produzidos de um tudo para atender às necessidades das lides diárias na casa, na roça e na pesca (cestos, balaios, apás, covos, jacás).

A finura da trama e a beleza de muitas peças despertam sempre grande interesse nos visitantes.

Foto: Reinaldo Meneguin

Criação: Felipe Scapino/ T. Macedo

Ocorrência: Cajati, Cananeia, Caraguatatuba, Catiguá, Eldorado, Iguape, Ilhabela, Iporanga, Itanhaém, Monteiro Lobato, Pariquera-Açu, Registro, Ribeirão Grande, Peruíbe, Ubatuba, Agudos, Arealva, Balbinos, Barra Bonita, Bauru, Getulina, Itapuí, Macatuba, Pongaí, Pederneiras, Cássia dos Coqueiros.



Em breve disponibilizaremos o conteúdo.


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