Artesanado de Palha de milho, da cidade de Redenção da Serra. Artesã Giselda. Fotografia de Reinaldo Meneguim

Cavalarias

ic_cavalariasCavalarias (a denominação mais usual) e cavalgadas como sinônimos de quantidades de cavalos, reunião de pessoas a cavalo, reunião ou marcha de cavaleiros com finalidade de lazer ou mesmo religiosa, são um traço comum em todo o Estado, com área de maior concentração na Grande São Paulo e no Cone Leste, mostrando o grande o gosto, o prazer de significativa parcela dos cidadãos de todas as classes sociais no trato com os cavalos. Sua expressão mais significativa se dá nas inúmeras romarias a cavalo e nas cavalarias de São Benedito. Com orgulho, cavaleiros e amazonas de todas as faixas etárias e classes sociais participam dos mais variados eventos populares que acontecem à parte do universo chamado country.

Para muitos, os animais estão ligados à batalha, no dia-a-dia, pela sobrevivência. Para outros tantos, associados à satisfação das horas de folga. Paralelamente às fazendas e sítios, de atividades agro-pastoris diversificadas, foram surgindo ranchos e haras, alguns com configurações e manejos mais sofisticados, voltados para a criação e comercialização de espécimes com maiores cotações no mercado.

Foram surgindo os clubes do laço e da montaria, e os cortejos a cavalo têm se tornado cada vez mais rotineiros.

Assim foram se estruturando por todo o país Cavalarias (a denominação mais usual) e cavalgadas como sinônimas de quantidade de cavalos, reunião de pessoas a cavalo, reunião ou marcha de cavaleiros com finalidade de lazer ou mesmo religiosa, um traço comum em todo o território nacional, mostrando o grande o gosto, o prazer de significativa parcela dos cidadãos de todas as classes sociais no trato com os cavalos.

De forma especial as Cavalarias, algumas bem longevas, apresentam um nível de organização hierarquizado, conservando traços, reinterpretados, de similares medievais.É com orgulho que seus integrantes, cavaleiros e amazonas de todas as faixas etárias e classes sociais, participam dos mais variados eventos populares que acontecem à parte do universo chamado country. Com o maior garbo e devoção procuram se integrar a uma das várias cavalarias, verdadeiras instituições organizadas em homenagem a santos de grande devoção popular (São Benedito, São Jorge, N.Sra. Aparecida), com suas festas votivas programadas durante todo o ano.

A estas podemos somar numerosas romarias a cavalo, verdadeiras instituições que congregam grande número de afiliados e que peregrinam regularmente aos tradicionais centros de peregrinação de suas regiões.

Cavalarias, Cavalgadas, Comitivas e Tropeadas

Desde o Império Romano que as solenidades cívicas ou festas religiosas são abrilhantadas por desfiles a cavalo, constituindo-se em traços marcantes em vários países da Velha Europa. Desfiles a cavalo, manobras em montarias e competições equestres abrilhantavam os triunfos (as grandes entradas dos generais vitoriosos), bem como faziam parte das grandes encenações públicas renascentistas e barrocas.

As cavalarias foram a parte mais importante dos exércitos em toda a Idade Média. Durante as Cruzadas, a Igreja criou ordens especiais de cavaleiros. Estes eram cidadãos honrados que, com suas montarias, deveriam combater os infiéis, defender as fronteiras e proteger os peregrinos, os fracos, os órfãos e as viúvas.

Tais façanhas, associadas às dos embates do mundo Cristão com o mundo Muçulmano personificadas nas figuras de Carlos Magno e os Doze pares de França (presentes, de várias formas, na cultura popular brasileira, de Norte a Sul), se sedimentaram em nosso inconsciente, externando-se no gosto pelos jogos equestres (ver ou participar), pela cavalgada ou pelo convívio puro e simples com as montarias

São José dos Campos - Cavalaria0002

Cavalarias, cavalhadas, cavalgadas, romarias ou procissões a cavalo, são um traço comum por todo o estado, na Grande São Paulo e até dentro da capital.

Ao lado registro de uma cavalgada, ao Bairro do Bom Sucesso, em dia chuvoso e frio.

Foto:TM – São José dos Campos, 1992

Cruzar com montarias em estradas vicinais, e mesmo pelas ruas centrais, é fato corriqueiro para paulistas de muitas das cidades de porte médio e grande e até mesmo na periferia da capital, tal a importância dos equinos como forma de transporte ou de lazer.

Acima de tudo, é muito grande o gosto, o prazer, de significativa parcela dos cidadãos de todas as classes sociais no trato com os cavalos.

São José dos Campos - Cavalaria0001

São muitos os tróleis na região do Vale do Paraíba, conservado como relíquias, e exibidos em momentos especiais, como nas cavalgadas.

Cavalgada ao Bairro do Bom Sucesso, SJC.

Foto: TM – São José dos Campos, 1992

Para muitos os animais estão ligados à labuta, no dia-a-dia, pela sobrevivência. Para outros tantos, associados à satisfação nas horas de folga. Paralelamente às fazendas e sítios, de atividades agro-pastoris diversificadas, foram surgindo ranchos e haras, alguns com configurações e manejos mais sofisticados, voltados para a criação e comercialização de espécimes com maiores cotações no mercado. Surgiram os clubes do laço e da montaria. E os cortejos a cavalo ou tropeadas têm se tornando cada vez mais rotineiros em terras paulistas. E não estamos nos referindo aqui ao universo dos campeonatos de peões e modismos country.

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Cavalgada para São Sebastião, santo invocado contra as doenças transmissíveis, bastante festejado em São Francisco Xavier (São José dos Campos).
Foto: TM, 1988

Assim foram se estruturando por todo o estado Cavalarias (a denominação mais usual) e cavalgadas como sinônimas de quantidade de cavalos, reunião de pessoas a cavalo, reunião ou marcha de cavaleiros com finalidade de lazer ou mesmo religiosa, são bastante frequentes por todo São Paulo.

É com orgulho que cavaleiros e amazonas participam da entrada dos palmitos na Festa do Divino em Mogi das Cruzes ou da procissão dos carroceiros na Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, em São Bernardo do Campo.

Festa de São Benedito - Pinda - Cavalaria0005

Com o maior garbo e devoção procuram as várias cavalarias de São Benedito com que homenageiam o santo de grande devoção popular em todo o Estado, com suas festas votivas programadas durante todo o ano.

Foto:TM – Cavalaria de S. Benedito – Guaratinguetá – 1987

Festa de São Benedito - Pinda - Cavalaria0004

Festa de São Benedito - Pinda - Cavalaria0001

Cavalaria de São Benedito, Guaratinguetá- Fotos: Toninho Macedo

São também muito numerosas as romarias a cavalo, verdadeiras instituições que congregam grande número de afiliados e que peregrinam regularmente a Aparecida, Pirapora do Bom Jesus, a Perdões ou Tremembé.

Estima-se que sejam mais de cem, e se concentram num cinturão em torno da capital, como se percebe na amostragem daquelas com a cobertura do Jornal dos Romeiros:

http://camaramunicipalsp.qaplaweb.com.br/iah/fulltext/justificativa/JPL0765-2007.pdf

A relação que se segue, muito incompleta, serve para dar uma idéia da persistência desta Prática devocional em nosso estado, bem como de suas direções, mas não esgota o assunto.

Aqui a relação de algumas romarias organizadas algumas muito longevas e centenárias.

Ao Santuário Nacional de Aparecida

– Romaria de Pedestres de Ibiúna, Romaria de Itapecerica (Cavaleiros), Romaria de São Roque (Cavaleiros), Romaria de Itapevi (Cavaleiros), Romaria de Itupeva (Cavaleiros), Romaria de Motociclistas de Caucaia – Cotia, Romaria de São João Novo (Cavaleiros), Romaria de Jundiaí (Cavaleiros) – Romaria de Itu (Cavaleiros), Romaria de Porto Feliz (Cavaleiros e Charreteiros).

Ao Santuário de Bom Jesus dos Perdões

– Romaria de Jundiaí (caminheiros, charreteiros, cavaleiros, …), Romaria do Bairro da Roseira de Jundiaí, Romaria de Jarinu, Romaria da Mairiporã

A outros locais de peregrinações

– Romaria de Vargem Gde Pta ao Bairro do Carmo, Romaria de Sorocaba a Aparecidinha, Romaria de Oscar Bressane a Echaporã

À Capela São Sebastião – Ibiúna

– Romaria de Itapevi, Romaria de N. S Graças de Vargem Grande Pta, Romaria dos Cavaleiros de São Sebastião (Ibiúna)

Ao Santuário de Pirapora do Bom Jesus

– Romaria Diocesana (cavaleiros, charreteiros, caminheiros-Jundiaí- 83 anos),Romaria de Santo Amaro ((cavaleiros, charreteiros, caminheiros – Capital – 79 anos), Cavaleiros de São Jorge (São Roque)-73 anos, Cavaleiros de Caucaia do Alto – 57 anos, Romaria de Salto – 44 anos, Romaria de Itapecirica – 38 anos, Romaria de Nazaré Paulista – 18 anos, Romaria de Alumínio,Romaria de Atibaia, Romaria de Cotia – 54 anos, Romaria de Embu das Artes, Associação dos Romeiros do Ferreira, Associação dos Cavaleiros Indaiatuba, Romaria de N. S. Prazeres – Itapecerica da Serra, Associação dos Romeiros de Itapevi , Associação dos Romeiros de Itu, Associação dos Romeiros de Itupeva, Romaria de Pedestres da Paróquia da Vila Arens – Jundiaí, Romaria de Pedestres de Mairinque, Romaria dos Cavaleiros e Charreteiros de P. Feliz, Associação dos Romeiros de Salto, Romaria de N. S. das Graças de V. Grande Paulista, Associação dos Romeiros de Jandira, Associação dos Cavaleiros do S. B. Jesus de Pirapora de Sto Amaro – São Paulo – Capital, Cavaleiros do Senhor Bom Jesus de Sto Amaro – São Paulo – Capital, Romaria Feminina de São João Novo de S. Roque, Romaria de Angatuba, Romaria de Laranjal Paulista, Romaria de Pedestres de Araçoiaba da Serra, Associação dos Cavaleiros de Cabreúva, Associação dos Romeiros de Franco da Rocha, Romaria de Araçariguama

Ao Santuário do Bom Jesus de Iguape

– Romeiros do Bom Jesus de Iguape – Ribeirão Grande (São vários fluxos não institucionalizados de romeiros).

Obs: Existem tantas outras romarias, mas de expressão menor, aos referidos santuários. Antes desses eventos, são comuns realizações de passeios, sobretudo para treinamento dos animais.

Resultado de imagem para Fotos de peregrinações ao Santuário de Tremembé

Também de Fora de São Paulo

Cavaleiros de Rio Azul (Paraná) irão percorrer 1.200 km até Aparecida do Norte/SP

Partindo de Rio Azul, pretendem concluir a tropeada dentro de 25 a 30 dias, preservando um costume da roça. É assim que sete cavaleiros de Rio Azul querem demonstrar sua fé em Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. No lombo de burros e mulas eles pretendem percorrer 1.200 quilômetros até Aparecida do Norte/SP.

Bucco explica que a maior parte do trajeto será feita por caminhos alternativos. “Cavalo com asfalto não combina”, enfatiza. Mesmo no asfalto a cavalgada não deve perder a essência. Ele destaca que o grupo optou em percorrer o trajeto em burros e mulas porque eles são animais preparados para andar longos trechos. Cada cavaleiro levará dois animais.

A viagem deve durar entre 25 e 30 dias. Segundo o organizador, os cavaleiros devem percorrer de 40 a 45 quilômetros por dia. Cada animal participa da cavalgada por um dia e, no seguinte, segue de caminhão, respeitando um rodízio. “O ser humano e o animal precisam de um tempo de descanso. Temos o dia marcado para sair, mas não vamos atropelar a viagem ou sacrificar ninguém. A gente vai conhecer os lugares e irá percorrer os trechos sem pressa. Pode levar 25, 30 ou 40 dias. Vamos programando de acordo com a viagem”, analisa. Bucco ainda diz que o grupo está acostumado a realizar cavalgadas. Para ele o cansaço e a longa viagem não serão obstáculos.

http://radionajua.com.br/noticia/noticias/irati-e-regiao/cavaleiros-de-rio-azul-irao-percorrer-1-200-km-ate-aparecida-do-norte-sp/18917/

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Vale do Paraíba – Cavalaria de São Benedito – Guaratinguetá

Foto: César Diniz

A festa de São Benedito em Guaratinguetá, uma das mais exuberantes das que ocorrem no médio Vale do Paraíba, e que honra igualmente São Gonçalo, tem inicio no domingo de Páscoa, rompendo a Aleluia: ao meio dia, segue pelas ruas da cidade a tradicional Cavalaria de São Benedito e São Gonçalo, chegando a reunir acima de 2000 cavaleiros.

Nela estão inclusos devotos do Santo ou simpatizantes, passando pelas principais ruas da cidade, seguem guiados pelos membros da a cavalaria institucional: um patrimônio de mais de 2 séculos e meio.

A irmandade de São Benedito nasceu em 1757 e até hoje é responsável por manter viva as tradições dessa festa: além da organização da Cavalaria, farta mesa de doces, o Levantamento do Mastro, a alvorada conduzida pela caixa de assovios (impar em todo o estado) e a corte (Rei e Rainha) escolhidos a cada ano. São estes e os festeiros os braços operantes da centenária Irmandade na organização da Festa.

Uma festa tão longeva, originada ainda em nosso período colonial, alimenta histórias.

Uma delas dá conta de que os grandes fazendeiros da região se reuniam na Catedral de Santo Antonio para celebrar a semana Santa, e no Domingo de Páscoa, para mostrar suas riquezas, mandavam seus escravos desfilar com seus cavalos pelas ruas da cidade.

Os escravos por sua vez faziam suas orações a São Benedito.

Homens de caminho- cavaleiros, tropeiros e viandantes”… (1)

“A presença da Cavalaria na Festa de são Benedito a identifica como um a festa de cunho rural, de realização urbana, tornando-a relíquia do Brasil Colonial e Patrimônio Histórico, cultural e Religioso da cidade, com os homens de caminho- cavaleiros, tropeiros e viandantes”…

Cavalarias, Cavalhadas, Cavalgadas, Romarias a cavalo e, mais recentemente as Comitivas, são um traço comum em todo o Estado, na Grande São Paulo e até dentro da capital.

Cruzar com montarias em estradas vicinais, e mesmo pelas ruas centrais, é fato corriqueiro para paulistas de muitas das cidades de porte médio e grande e até mesmo na periferia da capital, tal a importância dos muares e equinos como forma de transporte ou de lazer. Acima de tudo, é muito grande o gosto, o prazer de significativa parcela dos cidadãos de todas as classes sociais no trato com estes animais de estimação.

Para muitos os animais estão ligados à batalha, no dia-a-dia, pela sobrevivência. Para outros tantos, associados à satisfação nas horas de folga. Paralelamente às fazendas e sítios, de atividades agro-pastoris diversificadas, foram surgindo ranchos e haras, alguns com configurações e manejos mais sofisticados, voltados para a criação e comercialização de espécimes com maiores cotações no mercado. Surgiram os clubes do laço e da montaria. E os cortejos a cavalo têm se tornando cada vez mais rotineiros em terras paulistas. E não estamos nos referindo aqui ao universo dos campeonatos de peões e modismos country.

Assim foram se estruturando, e são bastante frequentes por todo o estado Cavalarias e Cavalgadas. Esta última é a denominação da expressão mais frequente, sinônimo de quantidade de cavalos, reunião de pessoas a cavalo, reunião ou marcha de cavaleiros com finalidade de lazer ou mesmo religiosa,

É com orgulho que cavaleiros e amazonas participam da Entrada dos Palmitos na Festa do Divino, em Mogi das Cruzes, ou da Procissão dos Carroceiros na Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, em São Bernardo do Campo. Lembremos ainda a grande quantidade de Romarias a Cavalo, muitas delas institucionalizadas e com trajetórias quase que centenárias. Muito comuns em todo o estado, com maior adensamento no entorno da Capital, coexistem ao lado de outras muitas mais que, mantendo-se regulares, preservam-se numa organização mais espontânea.

Desde o Império Romano que as solenidades cívicas ou festas religiosas são animadas por desfiles a cavalo, constituindo-se em traços marcantes em vários países da Velha Europa. Desfiles a cavalo, manobras em montarias e competições equestres abrilhantavam os triunfos (as grandes entradas dos generais vitoriosos), bem como faziam parte das grandes encenações públicas renascentistas e barrocas.

As cavalarias foram a parte mais importante dos exércitos em toda a Idade Média.

No período das Cruzadas, a Igreja criou ordens especiais de cavaleiros. Estes eram cidadãos honrados que, com suas montarias, deveriam combater os infiéis, defender as fronteiras e proteger os peregrinos, os fracos, os órfãos e as viúvas.

Tais façanhas, associadas às dos embates do mundo Cristão com o mundo Muçulmano personificadas nas figuras de Carlos Magno e os Doze pares de França (presentes, de várias formas, na cultura popular brasileira, de Norte a Sul), se sedimentaram em nosso inconsciente, externando-se no gosto pelos jogos equestres/ cavalhadas (ver ou participar), pela cavalgada ou pelo convívio puro e simples com as montarias.

São muitas as notícias destes jogos equestres entre nós, até mesmo na cidade de São Paulo no século XIX, o que sugere que os paulistas tinham um gosto especial pelo divertimento. Nesta modalidade, a de jogos equestres, no presente somente a de Taguaí está ativa (as de Santa Isabel e Igara tá se encontram dormentes já há um tempo).

Nesta edição do RSP contemplamos a Cavalaria de São Benedito e São Gonçalo, de Guaratinguetá. É parte integrante e, quiçá a mais exuberante, de uma festa que, segundo a historiadora Tereza Maia, especialista nas coisas do Vale do Paraíba, teve início em 1755, com a criação da Irmandade de São Benedito. Festa que marca a Páscoa e a Pascoela (páscoa pequena), como se denomina a ª feira da Páscoa em vários municípios do Vale do Paraíba.

Integram ainda os festejos em Guará sua também centenária Caixas de São Benedito, conjunto de inspiração medieval: composta por seis integrantes da Irmandade de São Benedito, que ao amanhecer, durante o período festivo, seguem rufando suas caixas, em um compasso constante, despertando os moradores anunciando o início de mais um dia de festa. No período preparatório recebem as contribuições espontâneas dos devotos e moradores em geral para ajudar na produção dos festejos. Durante sua jornada, como acontece de forma recorrente nessas ocasiões, o conjunto é seguidamente convidado a parar e entrar nas casas de devotos. Ocasião em que, além de fazerem orações em agradecimento a São Benedito, os moradores também servem o café do santo, com acompanhamentos.

Já no domingo de Páscoa, o grande dia, é efervescente em toda a cidade a movimentação dos moradores preparando os animais (pessoas lavam, escovam e enfeitam seus cavalos, e com eles se exibem) para a participação na Cavalaria. Durante o cortejo, para a manutenção da ordem e bom funcionamento, ficam a postos os Mantenas, identificados por seu trajar: Terno branco, gravata preta, chapéu de feltro branco e cravo vermelho na lapela. A Associação possui cerca de 120, que durante o trajeto percorrem as filas, organizando-os e retirando os cavaleiros mal comportados e embriagados.

Como consta em documento antigo,

“A Cavalaria tem como tradição desfilar pelas ruas da Cidade de Guaratinguetá no domingo de Páscoa, percorrendo um total de 18 Km. Com a participação de aproximadamente 2.000 cavaleiros, entre homens, mulheres e crianças.”

Depois da tradicional Cavalaria de São Benedito e São Gonçalo, segue-se a Procissão do Mastro, finalizando-se com seu levantamento. O cortejo conduz também a Corte Real (o Rei a Rainha de São Benedito), animado por grupos de Congos e Moçambiques, que seguem louvando São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.

Já na 2ª feira, a Pascoela como é conhecida, também denominada pelos devotos segunda- feira de São Benedito, o dia se inicia com alvorada, seguindo-se missa solene, o almoço festivo e a famosa mesa de doces de São Benedito para o povo em geral.

A festa, mais antiga que a de Aparecida, ao lado, e que segundo consta de início foi alimentada pela

grande devoção dos escravos ao seu defensor, São Benedito, se encerra com o povo acompanhando a procissão com os andores dos dois oragos (São Benedito e São Gonçalo).

1-Romarias

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São numerosos os Centros de Peregrinação difusos por todo o estado, o que estimula fluxos constantes de romarias. Dentre estas são muito numerosas as Romarias a Cavalo, verdadeiras instituições que congregam grande número de afiliados. Seguem regularmente rumo a Aparecida, Pirapora do Bom Jesus, Perdões ou Tremembé, ou trilhando outros roteiros devocionais. Neste caso, o das romarias a cavalo, com estatutos sociais, estima-se que sejam mais de cem, com maior concentração no entorno da capital.

Foto- Capela das velas- Aparecida- César Diniz

2- Cavalgadas

São José dos Campos - Cavalaria0002

Cavalgadas como sinônimos de grupamento de pessoas a cavalo, reunião ou marcha de cavaleiros com finalidade de lazer, é traço comum em todo o estado. Expressam o grande gosto, o prazer, de significativa parcela dos cidadãos, de todas as classes sociais no trato com cavalos e montarias em geral. Ao lado cavalgada ao Bairro do Bom Sucesso, em dia chuvoso e frio.
Foto:TM – São José dos Campos, 1992

São José dos Campos - Cavalaria0003

Com orgulho participam dos mais variados eventos populares, devocionais ou não, que acontecem à parte do universo chamado country, ou simplesmente se reúnem para cavalgar em turmada.

Cavalgada para São Sebastião, santo invocado contra as doenças transmissíveis, bastante festejado em São Francisco Xavier (São José dos Campos).Foto: TM, 1988

3 – Cavalarias

Festa de São Benedito - Pinda - Cavalaria0004

Estima-se que cerca de dois mil e quinhentos cavaleiros participaram da Cavalaria neste ano. É difícil imaginá-la em todas suas implicações, desdobramentos, impactos e significações. Cavaleiros vestidos de branco e tropas de muares tomam as ruas, enfileirados dando a impressão que não vai acabar nunca. Homens, mulheres e crianças, participam desta cavalaria. Escoltam os andores com as imagens de São Benedito e São Gonçalo, montados sobre um veículo.

Foto:TM – Cavalaria de S. Benedito – Guaratinguetá- dec. de 80

4- Cavalhadas

As cavalhadas, em síntese, são grandes encenações montadas, que reelaboram os relatos das lutas de Carlos Magno e os Pares de França contra os Mouros. Esta rivalidade, Mouros e Cristãos, se estrutura simbolicamente em dois campos que se opõe, nas investidas que cada grupo faz ao campo adversário e na oposição das cores: azul para os Cristãos e vermelho a dos Mouros. O conflito é acirrado com mortes, raptos, prisões, embaixadas e resgates.

http://www.franca.sp.gov.br:8084/SitePrefeitura/Noticias/2009722/Cavalhadas%202007-1%20(Small).JPG,

Cavalhada da Franca

Consta que tenha sido apresentada pela primeira vez na Vila Franca do Imperador em 1831, organizada, por primeiro, por Hilário Dias Campos. Passou por um período de hibernação, e hoje integra o calendário de eventos do município, com apresentação prevista sempre em agosto, no Parque Fernando Costa.

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A rivalidade entre Mouros e Cristãos se estrutura simbolicamente em dois campos que se opõem, nas investidas que cada grupo faz ao campo adversário e na oposição das cores: azul para os Cristãos e vermelho a dos Mouros.

Foto: R. Meneguin – Cavalhada de Catuçaba- RSP

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O conflito é acirrado com mortes, raptos, prisões, embaixadas e resgates. Os cavaleiros, sempre muito hábeis nas manobras com seus animais, esforçam-se em campo para dar conta do entrecho dramático através de carreiras e evoluções, em duplas ou grupais, de manejos de espadas, lanças e tiros de festim…

Foto: R. Meneguin – Cavalhada de Catuçaba- RSP

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…Sempre com a participação de coadjuvantes mascarados, em números variáveis, que além de colaborar com a dinamização do entrecho dramático, catalizam a assistência com suas atuações sinérgicas.

Foto: R. Meneguin – Mascarados da Cavalhada de Catuçaba

Já a Cavalhada de Taguaí insere-se numa outra modalidade de cavalhadas, registrada no Brasil já no século XVI, sem entrechos dramáticos, e que se estrutura numa série variável de jogos montados: das argolinhas, das canas (lanças), as alcancias, …desfiles e torneios, os cavaleiros mostrando grande destreza na montaria.

A foto registra a corrida de um de seus cavaleiros buscando atingir o alvo, durante a prova das argolinhas.Daí o motivo por também ser conhecida como Carnaval de Argolas.

Foto – Reinaldo Meneguin

5- Comitivas

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As Comitivas eram organizações complexas, que durante quase todo o sec. XX (a última encerrou suas atividade em 1983) atuavam tangendo boiadas do Mato Grosso (havia outras procedências) para as invernadas do Noroeste de São Paulo, especialmente para o Frigorífico Swift, em Barretos. Além de importante patrimônio material, do qual a Estrada Boiadeira é grande marco, deixaram um legado imensurável no âmbito da Patrimônio Imaterial da Cultura.

Afora as Comitivas funcionais, estas bem poucas, que ainda trabalham entre Matogrosso e o Noroeste paulista, observa-se hoje o crescimento de uma nova envergadura de comitivas. Estas atendem tão somente ao desejo de muitos aficionados de reviverem a experiência, que muitos viveram ao longo de anos, ou a magia impregnada nos relatos de muitas testemunhas ainda vivas.

Dentre estes novos comitiveiros incluem-se pessoas de todas as classes sociais que, por prazer, se reúnem para fazer viagens em que se busca aproximar do clima rústico de antanho ou participar de desfiles ou de eventos. Não mantêm ligação com o universo country dominante nas chamadas festas de peão.

Ocorrência: Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Caconde, Cajuru, Cidade de São Paulo, Diadema, Espirito Santo do Turvo, Guararema, Guaratinguetá, Jaboticabal, Jaguariúna, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim, Nazaré Paulista, Osasco, Pilar do sul, Pindamonhangaba, Piquete, Santa Isabel, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Suzano, São Jose dos Campos, Silveiras, Vargem Grande Paulista.



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