Artesanado de Palha de milho, da cidade de Redenção da Serra. Artesã Giselda. Fotografia de Reinaldo Meneguim

Caiapó

ic_caiapoBugrada, Caiapós ou Caiapô são denominações com que aparecem entre nós, folguedos com temática indianista, calcada, sobretudo, na visão de um “índio idealizado”. Atuam durante o ano todo nos diversos ciclos culturais, em especial no carnaval, e em festas dos santos padroeiros e de devoção popular, seguindo em cortejo pelas ruas das cidades, com paradas para dramatizações esquemáticas.

Ocorrência: Ilhabela, Joanópolis, Mairiporã, Piracaia, São Jose do Rio Pardo, São Sebastião.

Caiapó, Caiapô, Indiada, bugradas e caboclinhos são algumas das denominações com que aparecem, em todo o Brasil, folguedos com temáticas indianistas (e não indígenas), calcadas sobretudo, na visão de um índio idealizado (Sant’ Ana Nery- Folklore Brésilien-1881).

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Em São Paulo, denominados Caiapós

(Já foram registradas Bugradas), são encontráveis em Ilha Bela, São José do Rio Pardo e Piracaia. Surgem durante o ano todo em nossos ciclos culturais e em festas de oragos e santos de devoção popular.

Caiapô de Ilhabela – Foto: Marcelo Peri- Parque da Água Branca, 2000

 

Em linhas gerais integram o eixo de nossas expressões de Caboclos, que em linguagem corrente quer dizer mestiço, híbrido. Em sentido amplo, é o nativo fruto de nossa miscigenação étnica e cultural. Mas isto não diz muito, dada a complexidade do tema em nossa cultura. Sobretudo quando se fala de sua representação mais recorrente: dos índios emplumados, encontráveis de Norte a sul em Reisados, Caboclinhos, Cabocladas, Indiadas, Bugradas e Caiapós. Dos encontráveis nos Maracatus, Bumbas- meu- boi, aos índios simplesmente carnavalescos, até os Encantados de nossos Candomblés de Caboclos e tendas de Umbanda.

Bravo, forte, corajoso, guerreiro, sua figura mitificada está, quase sempre, ligada a lutas e batalhas, que habitualmente vence. Um mito: veio para defender, lutar e vencer.

O caboclo, encravado em nossa cultura popular, é por muitos considerado um dos símbolos mais fortes de nossa nacionalidade. Assim é reconhecido na Bahia. Foi o símbolo escolhido para a comemoração da vitória dos brasileiros contra os portugueses na Batalha de Piraju (uma das muitas que travou pela independência) a 02 de julho de 1823, ainda hoje entusiasticamente comemorada com grande cortejo conduzindo em carro triunfal a figura de um caboco de pena.

Rossini Tavares de Lima nos adverte de que o tema do índio/ caboco

“não é comumente, resultante de trocas e contatos culturais diretos com o índio e, no caso brasileiro com o tupi. Muito menos é procedente de origem indígena, como se tem dito e escrito; ele revela forte influência do indianismo, experiência literária de índole nativista mas, de estruturação romântico- européia”.

E citando Van Gennep e Ferdinand Denis, mostra fundamentos do indianismo já no século XVI na França. Portanto, anteriores ao Romantismo. Não deve, pois, causar estranhamento o fato de o visual destes nossos índios cabocos não ter nada a ver com o do indígena brasileiro: é o chamado índio idealizado.

Destacamos afora os caboclos em funções rituais e não do faz de contas das representações populares.

Mesmo reconhecendo não se tratar de folguedo, de uma representação, mas de uma manifestação, transita ao longe de um simples faz de conta, lembro aqui que o Caboclo, mais exatamente o complexo Samba de Caboclo, é a síntese perfeita do sacro/profano dentro dos terreiros de Candomblé e Umbanda. Suas chegadas, revestidas de misticismo e magia, são sempre festivas, arrancando efusões de iniciados e leigos. Exímios dançadores, soltam a língua assim que incorporados, estabelecendo contato imediato com os presentes. Sua dança vivaz, vigorosa e animada, exige o uso de todo o corpo (ao contrário dos orixás, na tradição Keto, cuja dança/ corporalidade se concentra mais nas extremidades, braços e pernas), quebros e requebros, giros e passos acrobáticos.

Sambando (e sambar aqui é uma redução, uma vez que o mesmo se esparrama pelos ritmos usuais

dos terreiros de angolacongo, congo de ouro, samba kabula, barravento e samba de roda) ou atendendo consultas, é a imagem viva do caçador livre, que não se deixou escravizar assumindo o papel de defensor da terra. Impetuosos, bravos, guerreiros, às vezes mal-humorados, mas no geral muito afáveis. Este é o seu perfil.

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Caiapó Mata a Dentro

de São José do Rio Pardo

Caiapós são folguedos compostos por um grupo em geral de homens, que se trajam imitando índios, portando arcos, flechas, e alguns instrumentos musicais, na maioria de percussão. O bailado simula o rapto de uma bugrinha ou um curumim pelos brancos e a luta dos caiapós pela sua reconquista. Usam flechas e espadas de madeira, estas servindo de instrumento de percussão, com manobras e entrechoques.

Estruturaram-se a partir de uma visão idealizada, barroca e romântica, de nossos indígenas e suas danças. Existem em bem poucos municípios de São Paulo em configurações variadas.

Os integrantes do Caiapó Mata a Dentro se vestem com saiotes e peitorais confeccionados com capim barba-de-bode ou membeca, cocares de penas de aves domésticas e colares de capiá e outras sementes. De peculiar pintam com anil as partes descobertas do corpo – rosto, braços e pernas.

Como instrumentos musicais, emprega, viola, caixa, pandeiro, reco-reco e matraca.

Nesta foto uma das figuras emblemáticas deste caiapó de

São José do Rio Pardo. Dos três grupos em São Paulo, este é o único em que os dançantes pintam-se todos de anil.

Foto – Reinaldo Meneguin



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