Artesanado de Palha de milho, da cidade de Redenção da Serra. Artesã Giselda. Fotografia de Reinaldo Meneguim

Bonecão

ic_bonecoesBonecos de rua (gigantes) e bichinhos de saias, enquanto expressões populares e tradicionais, fazem parte da vida cultural de mais de 25 municípios paulistas. Aparecem durante todo o ano integrando os calendários cívicos, do carnaval e mesmo de festas religiosas em quase todas as regiões do Estado. Perderam-se no tempo os referenciais de sua chegada a São Paulo. Mas conservaram-se os traços básicos que os filiam a suas matrizes ibéricas, sobretudo na relação com os bonecos processionais espanhóis. Variam as denominações dos conjuntos – Juritica (Litoral Sul), Pereirões (Região da Mantiqueira), Maria Angu (Vale do Paraíba e Litoral Norte); Cordão de Bichos (Médio Tiete). São variados os seus séquitos na rua, da insistência rítmica dos zé-pereiras (preservando-se os toques característicos do século XIX) a Sacizada (rapaziada mascarada) aos Pereirinhas (bonecos menores manipulados ate por crianças).

Aparecem durante todo o ano em meio aos mais diversos festejos populares, sacros ou profanos.

Bonecões, Caras e Caretas

Durante seis anos a Abaçaí Cultura e Arte, como resultante das pesquisas que vinha fazendo sobre o assunto, reuniu na Capital bonecões, cabeções, bichinhos de saias e outras expressões do núcleo temático.

Isto contribuiu, de um lado, para a divulgação desta expressão cultural presente em mais de 35 municípios de São Paulo, e de outro para sua maior dinamização: a realização destes encontros, concentrações e festivais possibilitou aos artistas populares (criadores e manipuladores) de S. Paulo contacto, interação e troca de experiências, que deixaram como saldo o aprimoramento, crescimento e dinamização da arte bonequeira em São Paulo.

Proporcionou contato direto e intenso da arte dos bonecões com um grande número de interessados e público em geral, facilitando sua difusão, sensibilizando as administrações municipais para o reconhecimento e apoio à tradição.

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Culminou com o projeto Bonecões, Caras e Caretas na XX Bienal Internacional de São Paulo de que constaram: Exposição de exemplares vindos do interior (300 m²), e a realização da IV Concentração e I Festival Estadual de Bonecos de Rua na abertura do evento.

Os bonecos prontos para serem içados no Pavilhão da Bienal.

Foto: Rosael

Expressão da cultura universal, os bonecos gigantes tiveram o seu auge na Europa durante o Renascimento com as grandes encenações públicas. Desde o início deste século, vêm experimentando grande revivescência, sobretudo na Espanha, Portugal, França e Flandes, sendo objeto de congressos e comissões de pesquisas, durante os quais são organizados desfiles e concentrações com grande afluxo de exemplares.

No Brasil são encontradas de Norte a Sul como parte integrante dos mais variados folguedos, com destaque para os que aparecem, isolados ou em grupos, no Ciclo de Carnaval.

A mídia tornou famosos, e com justeza, os Gigantões de Olinda. Entretanto é no Estado de São Paulo que registramos a maior incidência dos mesmos (apesar de que poucos saibam disto).

As pesquisas que a Abaçaí Cultura e Arte vem realizando há mais de 30 anos revelam sua existência em mais de 35 municípios paulistas. Sob as mais diversas denominações e com variação nas técnicas de confecção, guardam porém, entre si, traços marcantes que os ligam diretamente aos que nos foram legados pelos portugueses e espanhóis.

Aparecem durante todo o ano integrando toda sorte de festejos populares (sacros ou profanos), acompanhados de um séquito variado (cordão de bichos, sacizada, cabeções, bonecos menores,…).

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Ubatuba- Cabeçorra de carnaval

Sr. Manequinho Carcereiro, com sua criatividade e habilidade para a modelagem e criação em empapelamento, foi durante muito tempo um dos motores das folganças momescas no litoral Norte.

Foto:TM – 1988

Perderam-se no tempo os referenciais de sua chegada a São Paulo. Mas conservaram-se os traços básicos que os filiam a suas matrizes ibéricas, sobretudo na relação com os bonecos processionais espanhóis (gigantes e cabezudos ou enanos).

Variam as denominações dos conjuntos – Juritica (Litoral Sul), Pereirões (Região da Mantiqueira), Maria Angu (Vale do Paraíba e Litoral Norte), Cordão de Bichos (Médio Tietê). São Também variados os seus séquitos, quando na rua, da insistência rítmica dos Zé pereiras (preservando-se os toques característicos do século XIX) à Sacizada (rapaziada mascarada) aos Bichinhos de saias e Pereirinhas (bonecos menores manipulados até por crianças).

Também não faltam blocos que, no carnaval, se arrastam atrás de figuras totêmicas. É o caso do Boi-Tatá, em Iguape, enorme boi de 6 ms de envergadura. O cortejo se avoluma na medida que vai avançando. Param nas portas dos bares ou determinadas residências gritando uns, “é o Boi”! e respondendo outros, “Tatá”! Até que ganham o que pretendem: litros de pinga, conhaque, garrafões de vinho. E assim segue a farra. Engrossam, por vezes, o cordão o Tinico, a Juritica e sua prole (bonecões gigantes), e multidões de turistas.

Em São Bento do Sapucaí o Pereirão e a Pereirona, com seus 3,5 metros de altura, começam a sair às ruas nos finais de tarde do início de janeiro até o carnaval, quando ganham o acompanhamento dos Pereirinhas, bonecos menores, mais leves que cabriteiam pelo meio do povo.

Santana do Parnaíba é hoje o último reduto de Cabeções, as cabeçorras que representam anões, pela desproporcionalidade que provocam com os corpos dos que as envergam. É também o município em que a arte dos bonecões mais vivaz no estado, ganhando força o tradicional Grito da Noite. Como já citado, trata-se de um, bloco com temas de terror que na sexta-feira antes do carnaval, à luz de archotes desfilam pela cidade “gigantes” e “anões”, caveiras e vampiros, e uma surpreendente variedade de seres engendrados pela criatividade popular.

No tangente aos cabeções, sua sobrevivência em Parnaíba se deve à dedicação da família Vilar, encabeçada por seu patriarca, Holmes Villar (in memo), seguido de perto pela entusiasta esposa Arabela (in memo), e pelos filhos Tito e Miguel Villar. Foram capazes de agregar simpatizantes e adeptos na comunidade que possibilitaram a sobrevivência dos mesmos.

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O casal Holmes e Arabela

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Tito no ofício

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E os anões/ cabeções.

Conceitualmente não são máscaras. Como apontado acima, notem, a desproporção das cabeças, o que faz com que os “animadores”, adultos, pareçam “enanos”, ou “cabezudos” a denominação que recebem em Portugal e Espanha, seus locais de origem.

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Afora as criações da Família Villar, haviam também os cabeções criados por…., Estes totalmente desaparecidos. Note-se que os dois grupos cultivavam estilos bem distintos, mas ambos reproduzidos em grandes moldes. A arte e a técnica eram as mesmas: empapelamento.

Depois de alguns anos de interrupção, a Abaçaí Cultura e Arte retomou, o festival com sucesso, durante o Revelando S. P. 97 contando, pela primeira vez, com a parceria da Secretaria de Cultura do Estado. No Revelando 98 foi realizada o Bonecões, Caras e Caretas, sendo que a partir desta edição o evento fundiu-se com o Festival Estadual de Bonecos de Rua, dando prosseguimento ao sequencial como VI Bonecões,

Caras e Caretas – Festival de Bonecos de rua de São Paulo.

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Gigantões – Bonecos “processionais”

São Bento do Sapucaí

Em todo o estado, com maior concentração no Vale do Paraíba, multiplicam-se as presenças de bonecos de rua, gigantes ou bichinhos de saias, que permeiam as mais diversas festividades tradicionais, dos carnavais às Festas do Divino e outras.

Esta expressão, a dos bonecos de rua, se faz presente em aproximadamente 35 municípios. Interessante notar que, no mais das vezes, cada conjunto de bonecos tem um séquito peculiar (sacizada, pereirinhas, mascarados,…), que além de oferecerem “proteção” aos gigantes, dinamizam os cortejos nas ruas.

Na região da Mantiqueira os casais principais recebem o nome de Zé Pereira e Maria Pereira (vulgarizados em Pererão e Pererona, daí que os bonecos menores passam a ser denominados ntiguidade). No restante do Vale, João Paulino e Maria Angu.

Na foto o Pererão, a Pererona (com seus 3,5 ms de altura e e 20 ks) e um pereirinha de São Bento do Sapucaí, resultantes da engenhosidade do Bento Cortez.

Foto – Reinaldo Meneguin

Criação: Felipe Scapino /T. Macedo

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Ocorrência: Aparecida, Bertioga, Bom Jesus dos Perdões, Campinas, Catanduva, Cunha, Ibirá, Iguape, Jacareí, Mogi das Cruzes, Monteiro Lobato, Natividade da Serra, Ourinhos, Pitangueiras, Poá, Porto Ferreira, Redenção da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bento do Sapucaí, São Jose do Barreiro, São Luis do Paraitinga, Tatuí, Taubaté, Ubatuba.

Grupos

Bonecões de Anhumas Anhumas
Bonecões de Atibaia – Zé Pereira Atibaia
Quadrilha de Bonecões Caçapava
Bonecões Gigantes de Caraguatatuba Caraguatatuba
Bonecões Gigantes de Caraguatatuba Caraguatatuba
Cabeções de Caraguatatuba Caraguatatuba
Bonecões de Catanduva Catanduva
Cabeções Carnavalescos Catanduva
Boi Tatá Iguape
Juritica Iguape
Projeto Alegria Caiçara – Bloco dos Bonecões Iguapense. Iguape
Zé Pereira Iguape
Zé Pereirinha Iguape
Associação Rec. E Cult. Boi Tatá de Iguape Iguape
Bonecões de Iguape Iguape
Boneco Gigantes Pereirões Monteiro Lobato
Pereirões Monteiro Lobato
Quadrilha de Bonecões Piracema São José dos Campos
Cia Artistica Bando Do Sussego São Paulo
Cordão Folclórico Tatuiense – Cordão dos Bichos Tatuí
Bonecões de Torrinha Torrinha

 

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