Artesanado de Palha de milho, da cidade de Redenção da Serra. Artesã Giselda. Fotografia de Reinaldo Meneguim

Bom Jesus

ic_bomjesusA devoção ao Bom Jesus da Cana Verde, ao lado de mais uma ou outra de suas denominações, é bastante difusa em todo o estado. Padroeiro de vários municípios, deu origem a cinco centros de peregrinação, sendo dois Santuários, patrono de várias romarias organizadas e cavalarias, de viajantes e pescadores.

             Ecce Homo!

 “Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão. Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: ‘Salve, rei dos Judeus!’ Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar. ” (Mt 27, 27-31)

Então Pilatos saiu outra vez, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. Saiu, pois, Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis o homem!  Quando o viram os principais sacerdotes e os guardas, clamaram, dizendo: Crucifica-o! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o, porque nenhum crime acho nele. Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e segundo esta lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus. (João 19,4- 7)

Depois de o terem assim escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e lhe puseram as vestes. Então o levaram para fora, a fim de o crucificarem. (Marcos  20, 15)

Esta é a passagem dos Evangelhos que inspirou a iconografia do Ecce Homo! e a devoção ao Senhor Bom Jesus, arraigada em muitos cantos do Brasil, de forma especial em São Paulo: são 4 grandes santuários a Ele dedicados – Senhor Bom Jesus de Iguape (1647), Senhor Bom Jesus de Tremembé (1669), Senhor Bom Jesus de Perdões (1706) e Senhor Bom Jesus de Pirapora (1724), todos eles atraindo grandes fluxos de romeiros. Em cada um deles são reverenciadas imagens em tamanho natural, e com características semelhantes. Dentre estas, seus portes (cerca de 2metros), e o fato de não possuírem cabelos talhados na madeira, o que possibilita a oferta por devotos de cabeleiras como também de seus mantos, em cumprimento de promessas. Afora isto, além da coroa de espinhos, todas ostentam por trás e acima da cabeça um disco solar de prata.

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Resultado de imagem para Imagens do Bom Jesus de Tremembé

Imagem relacionada

Suas origens são quase sempre as mesmas: ou é uma imagem que não quer viajar, ou localizada num rio, ou uma imagem levada por algum ermitão, … e, consequentemente os peregrinos chegam e a veneram, atribuem milagres, edificam uma capela, uma igreja e daí as grandes romarias se tornam constantes.

Muito além do maior ou menor valor artístico de cada uma das esculturas, está a aura de mistérios que envolvem as trajetórias de cada uma delas, como veremos adiante.

É de se apontar ainda, que, afora as imagens citadas acima, ao lado de Nossa Senhora da Assunção, Bom Jesus da Cana verde foi o orago da Capela do Colégio dos Jesuítas (hoje dedicada a José de Anchieta, seu co-fundador), no Pátio do Colégio, onde nasceu a Cidade de São Paulo.

Um pouco adiante (dois quilômetros do centro) encontra-se a igreja do Bom Jesus do Brás. No século XVIII existia no terreno do atual largo da Concórdia uma chácara de propriedade de um português chamado José Brás.

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O português José Brás mandou erguer em suas terras uma capela para o Senhor Bom Jesus dos Matosinhos, em torno da qual teve início a formação do povoado que deu origem ao atual bairro do Brás.

Em 1769 foi construída uma capela. Mais tarde (1803) foi substituída por uma Igreja dando origem à devoção. A construção do atual templo teve início em 1896, inaugurado a 1º de janeiro de 1903.

Outrora a região era conhecida como paragem do Brás, onde já existia um povoamento desde o século 17, e servia de parada para os que se dirigiam da freguesia da Penha à freguesia da Sé. Esse caminho de 1,5 léguas, conhecido como estrada da Penha, compreende hoje as avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia. Pelos registros históricos, havia, pelo menos desde 1744, procissões que conduziam a imagem de Nossa Senhora da Penha de França de sua igreja na Penha até a igreja da Sé, no centro, usando a estrada da Penha. Com a sua construção, a igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, na paragem do Brás, passou a ser ponto de parada obrigatória dessas procissões, o que contribuiu para o desenvolvimento da região.

Os festejos do Bom Jesus no Brás, no mês de agosto, eram ponto de encontro do samba de bumbo, uma das expressões do samba paulista até à primeira metade do século passado, descrita por Mário de Andrade, e tal qual ocorria até pouco tempo em Pirapora, e na Festa da Achiropita, no Bixiga.

Os santuários históricos do Bom Jesus

Bom Jesus de Iguape (1647) – A Imagem que veio do mar

Iguape situa-se no Litoral Sul de São Paulo, no extremo- norte do Mar de Dentro, também conhecido como Mar Pequeno. Daí veio-lhe o nome: Igua-pe = no lagamar, no braço de água, no golfo (Teodoro Sampaio).

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O Mar de Dentro é uma extensa faixa de água mais longa que larga, separada do Mar de Fora (o mar aberto) pela Ilha Comprida (como o nome a descreve) que se estende por 70 km no sentido Norte- Sul, da Barra do Icapara (Iguape), à Trincheira (Cananéia).

Nesta faixa de mar desaguam vários rios de pequeno porte, constituindo-se este complexo estuarino, com seus imensos manguezais, em importantíssimo estuário de espécies marinhas, viveiro de peixes.

Divisa ao Sul com Cananéia/Serra da Graciosa, ao Norte com Itanhaém/Serra dos Itatins, e ao fundo (a oeste) é emoldurada pela Serra do mar. Possui rede fluvial farta, sendo seu principal rio o Ribeira de Iguape denominado pelo caiçara de a Ribeira.

“A Ribeira, farta de beber água de todas as vertentes, larga de uma centena de metros, não ia se consumir no oceano, senão depois de contornar a cidade.”

Antônio Paulino de Almeida.

É uma das mais antigas cidades do Brasil e, como algumas dentre elas, também não conhece seu fundador. A data provável de surgimento foi 1577, para uns, e para outros já em 1537.

É certo, entretanto, que seu primeiro núcleo populacional foi a Barra da Ribeira.

A povoação não prosperou ali. Se de um lado possuía água de boa qualidade e terreno fértil, por outro,

a planície era pequena e muito açoitada pelos ventos”. Por volta de 1620/1625 o núcleo populacional transferiu-se para uma extensa planície a apenas 6 metros acima do nível do Mar Pequeno, dando origem ao atual núcleo urbano, sob a denominação de Vila de Nossa Senhora das Neves. Para isto teria concorrido Francisco Álvares Marinho que já se havia estabelecido em propriedade isolada, e por isto mesmo insegura. Tudo indica que data desta época (séc.XVI) a chegada da imagem de sua padroeira Nossa Senhora das Neves, ainda hoje venerada na basílica. Mesmo assim o novo núcleo urbano não se adensou como se esperava inicialmente:

“a povoação não se desenvolveu e era tão sensível o desinteresse na fixação e desenvolvimento do aglomerado humano que em 1679 o seu Capitão-Mor, por um edito, sob pena de multa de dez cruzados obrigou os donos de sítios e fazendas de redor a construir cada um uma casa na cidade, visto como eram poucos os moradores que haviam nela” (Antônio Paulino de Almeida).

Como toda a região do Ribeira (da qual era a porta de entrada e de saída) teve seu momento áureo: ainda não havia sido descoberto o ouro das Minas Gerais, e o mesmo já estava sendo bateiado Ribeira acima (Iporanga, Xiririca e Itatins) e transportado em canoas para Iguape, onde era transformado em barras e remetido sob escolta para Santos. Em 1635 nela havia sido criada a Casa da Oficina Real da Fundição

do Ouro. Na atual Registro, então colônia de Iguape, dava-se a fiscalização, pesagem e cobrança do dízimo de todo o ouro que descia o Ribeira. Com a descoberta do ouro em Minas e a corrida que provocou a região se esvaziou, e já no início do séc. XIX dele já não mais se falava na Ribeira. O ouro se foi, mas Iguape continuou próspera. De permeio à exploração aurífera houve a ascensão da cultura do arroz na região, que se manteve em crescimento pelos sécs. XVIII e XIX. A qualidade do produto foi cada vez mais sendo reconhecida, ultrapassando fronteiras.

Ainda na primeira metade do Séc. XIX passou a ser respeitada como cidade portuária graças às intensas atividades de exportação através de seu porto. Por ele escoava toda a produção da região. Linhas de barco a vapor passaram a servir à região, com viagens regulares duas vezes por mês, subindo o Ribeira até Xiririca (atual Eldorado).

Em 1879 um almanaque da Câmara dava conta de que havia na cidade 471 prédios de um pavimento e 27 de dois, 04 templos, 01 casa de caridade e um elegante teatrinho, além de ruas largas.

E ainda: gabinete de leitura, algumas tipografias de obras, dois jornais, muitas irmandades religiosas, uma

porção de sociedades de diversões e professores de música. Isto não impediu que um poeta da terra em 1899 a ela assim se referisse:

Tão aprazível és e abençoada

Embora vivas hoje decadente,

Que o próprio Deus, transpondo o vasto mar,

Veio buscar templo e altar.

Esta quadra é referência do marco mais perene de Iguape: o encontro da Imagem do Bom Jesus, que aqui consideramos seu bem maior, e que acabou por projetá-la como Cidade Santuário, importante centro de peregrinações no Estado de São Paulo, ao lado de Aparecida e outros, o mais antigo de todos.

Bom Jesus de Iguape - Basílica Bom Jesus de Iguape - Nossa Senhora das Neves

Há romeiros por todo o Vale do Ribeira e Interior Sul de São Paulo que acorrem em visita ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Iguape. Chegam de carro, de ônibus, a cavalo de motocicletas e bicicletas, de barco, de canoa ou a pé. Também chegam oriundos de outros estados. Alguns vindos do Paraná, Santa Catarina ou Rio Grande do Sul, com destino à Aparecida, por ali passam, obrigatoriamente, na ida ou na volta.

A imagem que nele se encontra exposta, atraindo a visitação de milhares de fiéis, foi encontrada, pela tradição, por dois índios na praia do Una (Juréia), e, segundo consta, teria sido ali ‘lançada’ pelo mar em 1647. Foi trazida para a vila e os relatos deste encontro e traslado, como soe acontecer, estão cheios de circunstâncias maravilhosas.

Se a imagem, enquanto um bem tangível continua exposta em seu santuário, não se tem muitos dados palpáveis sobre os fatos que cercam este fato.

Consta que a mesma teria sido destinada ao Brasil no ano de 1647, procedente de Portugal, encomenda de um rico fazendeiro de cana-de-acúcar (PE), e que ao aproximar-se da costa pernambucana a nau que a transportava teria sido atacada por piratas.

Temendo a perseguição o comandante colocou-a num caixote, juntou algumas botijas de azeite e lançou ao mar. Assim a caixa foi levada pela correnteza marítima, em direção ao sul

da costa brasileira.

E aqui o registro de um dado extremamente interessante.

Na ponta Sul da Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, existem várias pedras que, quando percutidas, vibram como sinos, com timbres bem variados. Por isso o lugar é conhecido como Praia dos Sinos.

Contam muitos dos antigos que, quando a caixa conduzindo a imagem do Bom Jesus passou pela região, levada pela corrente marítima as pedras da ponta da Ilha vibraram como sinos.

Os sinos da ilha vibraram saudando-O.

Nove meses depois, no mesmo ano, teria ocorrido seu encontro na Praia do Una: dois indígenas enviados à Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, a pedido de Francisco de Mesquita, morador da Praia da Juréia, avistaram a caixa no mar e a resgataram. Ao descobrirem seu conteúdo, e antes de prosseguirem viagem, colocaram a imagem de pé na areia ao lado das botijas e do caixote.

Na volta, ao aproximarem-se da imagem, perceberam que ela se encontrava com o semblante voltado para o poente ao contrário de como a haviam deixado, virada para o nascente. Surpresos, os caboclos apressaram-se em retornar ao seu local de moradia para contar o que acontecera. No dia seguinte, o líder da comunidade, Jorge Serreno, foi até a Praia do Una acompanhado de sua família, Ana de Góes, Cecília de Góes e Francisco de Mesquita quando, diante da imagem, puseram-se de joelhos e rezaram. Decidiram então, levá-la para a Vila de Iguape, atravessando o Maciço da Juréia, com a imagem carregada em uma rede de pesca.

Consta, ainda, que a este ponto, um outro grupo de pessoas, que também souberam do achado, acorreu de Itanhaém, com a intenção de levá-la para a Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, por esta ser a sede da Capitania.

Mas ao tentarem virar o cortejo para aquela Vila, a imagem adquiriu um peso descomunal e, o contrário aconteceu quando voltaram-na em direção à Vila de Iguape. Decidiram seguir a indicação, e ao pé do morro banharam a imagem retirando o salitre e preparando-a para sua chegada à Igreja de Nossa Senhora das Neves. O local ficou conhecido a partir de então como Fonte do Senhor. No dia 2 de Novembro de 1647, terminada a lavagem, a imagem finalmente chegou à Vila de Iguape e foi colocada no altar da Igreja. Não demorou muito para que a fama da milagrosa imagem se espalhasse e, o número de fiéis que vinha de longe pedir uma graça ao Senhor aumentava a cada dia.

É certo que o achado trouxe a vida de que tanto necessitava a pequena vila, que em 1658 passou a se chamar Bom Jesus de Iguape.

Em 1918, o pintor Trajano Vaz retratou o encontro da imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, na Praia do Una, em 1647

Obra do pintor Trajano Vaz, 1918 – uma idealização do encontro da imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, na Praia do Una, em 1647 Em 1730 o Reverendo Cristóvam da Costa Oliveira para perpetuar a memória de tão maravilhoso aparecimento, depois de ouvir pessoas antigas deixou o seguinte relato:

A cidade teria permanecido estacionária até quando sucedeu o aparecimento da milagrosa imagem do Senhor Bom Jesus, dádiva preciosa do céu, penhor mais rico de toda a Terra e a única riqueza que está possuindo esta mesma vila desde o ano de 1647, tempo em que o Senhor foi servido entrar nela para enriquecer seus pobres habitantes, fazendo-se achar por eles no lugar mais deserto de toda esta costa como quem mostrasse que Ele só queria estar onde os homens viviam debaixo da humilde palha. Seu santuário teve planta encomendada no Rio de Janeiro e as obras iniciadas entre 1780/1787. Construção singela, mas sólida, com imensos alicerces e estrutura de granito, domina majestosa, com suas altas torres toda a vasta planície de Iguape.

A gruta

No sopé do Morro do Espia, em sua parte sul, fica a pedra da fonte sobre a qual a imagem foi banhada, local convertido em ponto de peregrinação. Segundo a crença, a mesma cresce continuamente.

Por sobre a mesma foi construída uma pequena cúpula com uma bica d’água. É ponto obrigatório de visitas dos romeiros: chegam, lavam as mãos, o rosto, bebem da água. Todos os anos milhares de romeiros a visitam. Muitos são os que banham a cabeça toda na bica e tentam extrair pequenas lascas da pedra que, segundo afirmam, possuem poderes milagrosos: são mantidos em um copo d’água, e da mesma bebem quando estão com alguma dor ou mal estar.

Foto: TM, 1987

E afirmam que o cascalho cresce.

De acordo como a crendice popular, por mais que se retirem lascas, a pedra continua do mesmo tamanho; e, ainda, colocando-se uma lasca num filtro, ela cresce com o tempo, além de somar à água poderes milagrosos. É a lenda da ‘pedra-que-cresce’, que encantou até o grande escritor Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura, ao visitar a cidade de Iguape no ano de 1949, acompanhado de Oswald de Andrade e outros amigos.

O fato é que, no transcurso, o chão da gruta vai ficando, pouco a pouco, mais fundo.

A cada ano, a chamada festa de agosto (6 de agosto é o dia do bom Jesus) movimenta todo o Litoral Sul com o afluxo de milhares de peregrinos e turistas.

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Muitos pescadores devotos visitam anualmente o Santuário, de foram especial por ocasião de seus festejos: ofertam em agradecimento barquinhos de madeira, ou pintados em quadros. Se não podem trazê-los pessoalmente, soltam-nos no mar na esperança de um dia chegarem às praias iguapenses.

No registro de Dionísio Diego, Festa do Bom Jesus 2011, barcos atracados de peregrinos.

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A Sala dos Milagres exibe alguns exemplares destes.

A multidão que aflui a Iguape, a cada ano, para os festejos do Bonje (como carinhosamente o tratam os iguapenses), se adensa no dia 6 de agosto, confluindo na praça do Santuário quando da procissão pelas ruas da cidade.

Festa do Bom Jesus 2011 – Diego Dionísio

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Ao chegarem à cidade, as várias caravanas são recebidas, cada uma de per si, formalmente, pela Reitoria do Santuário, penúltima etapa de suas obrigações devocionais.

Por último a visitação à Fonte do Senhor.

2011, a recepção a uma romaria a cavalo- Diego Dionísio

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A cidade fica abarrotada, hotéis, pousadas e Como também residências transformadas em pensões. Cada um se vira como pode em trailers, caminhonetes, acampamentos, em barracas armadas em campings e até mesmo nas praças fora do centro.

Na foto de Diego Dionísio, 2011, acampamento improvisado na Praça de São Benedito.

De todas as imagens do Bom Jesus existentes no Brasil, a de Iguape é a mais antiga, e a partir dela a devoção se difundiu pelo Sul do Brasil (litorais paranaense e catarinense) e pelo Serracima. Deixou em seu rastro inúmeras igrejas dedicadas ao Bom Jesus e novos centros de peregrinação:

Bom Jesus de Tremembé, Bom Jesus dos Perdões e o Bom Jesus de Pirapora.

Fontes:

http://familia.massa.sites.uol.com.br/imagens/reportagens/noticias_massa/bom_jesus_historia/bom_jesus.htm

Ernesto Guilherme Young, “Esboço Histórico da Fundação da cidade de Iguape”, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. II, pp. 128-130, 1896.

Esta sequência de fotos, realizadas pelos próprios romeiros, dá conta da Romaria que tradicionalmente se organiza em Ribeirão Grande, no serracima, e que segue pelas pequenas estradas e caminhos de terra que cortam as reservas de mata atlântica, até Iguape. Mostra aspectos dos preparativos, da infraestrutura e desafios que os romeiros, por sua fé, encaram no trajeto. Esta prática levou o povo do Ribeirão a escolher Bomjesus de Iguape como seu patrono.

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Agradeço ao Orlando Balaio, romeiro integrante do grupo a cessão destas fotos, que revelam detalhes só possíveis de serem captados por alguém que, efetivamente, tenha feito parte do mesmo. E aqui aproveito para apontar, na primeira foto à esquerda, o prparo da paçoca de carne (pilões), farnel importante nesta viagens, e amelancia, um dos acompanhamentosimportantes para o mesmo.

Bom Jesus de Tremembé (1669)

O presente de um desconhecido

O médio Vale do Paraíba foi bastante aquinhoado com alguns dos mais significativos patrimônios religiosos: a imagem do Senhor Bom Jesus de Tremembé, de 1663, mais antiga que a Virgem da Conceição, de Aparecida, esta encontrada em 1717, é um deles.

E o maravilhoso também se fez, e se faz, presente.

Tremembé é pequena cidade (192 Km²) às margens do rio Paraíba do Sul, com pouco mais de 40 mil habitantes, outrora um sítio bem próximo de Taubaté, da qual se emancipou. Em suas extensas várzeas vicejam plantações intensivas de arroz.

Fundada em 1660 pelo Capitão Mor Manuel Costa Cabral, que possuía parte das terras do sítio, e ordenou que se construísse em sua propriedade uma capela em louvor a Nossa Senhora da Conceição, então padroeira da freguesia.

Em 1663, a capela recebeu a imagem do Senhor Bom Jesus, em altar erigido especialmente para tal “o Capitão Manoel da Costa Cabral, levado por um bom zelo e maior glória do Santo Cristo de devoção dos fiéis cristãos”, manifestara o desejo “de construir uma Igreja ao Cristo de vulto e imagem muito devota, feita à semelhança do Senhor de Iguape”.

Sua história tão encantadora faz jus à cidade e a seus arredores. Tudo remonta ao aparecimento miraculoso da imagem do Senhor Bom Jesus, em Tremembé.

Como soe acontecer no universo da religiosidade popular, é constante a presença de santos caminheiros, andarilhos: em vários momentos e em lugares diferentes, sempre se tem notícias de caminhadas de santos de devoção (não distante do Vale, foram famosas as rondas, caminhadas noturnas, empreendidas em Caraguatatuba, por Santo Antônio, seu padroeiro).

Na trajetória de Tremembé, por mais que se explicitem os componentes históricos que dão conta da trajetória da imagem de seu orago, ganham destaque os relatos que perpassam o quotidiano das adjacências da própria comunidade. O mais importante deles, que busca explicar seu surgimento, enfeixa um fato cultural corriqueiro na região: a presença dos andantes (andarilhos).

Foram vários os relatos que ouvi, inclusive de Lili, figureira de São José dos Campos, que fixou várias figuras de andantes no barro, e sintetizamos a seguir:

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https://pt-br.facebook.com/BasilicaDoSenhorBomJesusDeTremembe/posts/242477772557087

“Conta a tradição que certo dia, apareceu no arraial um andante, que construiu para si uma pequena cabana. Permanecia a sós, mas não de todo longe dos olhares da vizinhança: todos os dias, quando saía, as pessoas o notavam. Mas não mantinha contato com ninguém. E assim seguia aquela rotina do andante e da comunidade. Certo dia, todos na espreita, mas o andante não saiu. E assim foi também no dia seguinte, e nos seguintes. A comunidade entre inquieta e preocupada, dirigiu-se à choupana e a abriu; eis que diante deles estava a imagem do Bom Jesus, entalhada em madeira.

Quanto ao andante, ninguém teve mais notícia de seu paradeiro. O caso foi tido então como miraculoso e que Deus, na pessoa do velhinho, para ali trouxera a imagem.”

De quem é?

Este é popularmente relatado como sendo seu primeiro milagre, prodigioso.

Outro teria acontecido quando do traslado da imagem da cabana até à ermida:

Quando fizeram a remoção da imagem, um pequeno fio de água cristalina brotou no local onde o Senhor Bom Jesus pousava seus pés, dando origem à conhecida bica da água santa constitui a atual fonte santa, cujas águas possuem o dom da cura das enfermidades.

Conta-se ainda que no início do século passado (XX), quando da ocorrência da famosa gripe espanhola, a população de Taubaté foi por ela acometida, com saldo de grande número de vítimas. Os fiéis recorreram ao Senhor Bom Jesus. Sua imagem foi trasladada para a cidade a fim de protegê-la da epidemia. E assim ficou ela exposta à veneração pública durante vários dias, e o termo da enfermidade não demorou.

Após esse fato extraordinário, a imagem desapareceu inexplicavelmente para reaparecer, dias depois, na igreja matriz de Tremembé, em seu altar de costume. O povo acorreu pressuroso ao templo para tomar conhecimento do ocorrido. Após uma análise cuidadosa da imagem, nada de estranho se notou nela, salvo seus pés cheios de barro e poeira da estrada que ligava as duas cidades. Soube-se, pouco depois, que moradores das margens do caminho tinham visto o Senhor Bom Jesus caminhando em direção à sua cidade e matriz de origem. Embora não encontrássemos referências escritas a esse último prodígio, ele constitui voz corrente, voz do povo dos dois municípios.

Retornando aos fatos históricos, já em 1672 o mesmo Manuel Costa Cabral depositou a imagem veneranda na capela, também por ele construída exatamente no local no local em que se encontra a atual Basílica. No mesmo ano foi realizada a primeira missa em celebração ao Senhor Bom Jesus de Tremembé, e logo em seguida foi criada a

Irmandade do Senhor Bom Jesus, que passou a zelar pelas terras que foram doadas ao santo, formando assim o pequeno povoado de Tremembé que tinha como padroeiro o Bom Jesus.

Tão logo a imagem foi entronizada, a fama de “Santo Milagroso” se espalhou pela região, e partir daí começaram a chegar peregrinos e romeiros acabaram que foram se estabelecendo ao redor da capela.

Com o crescente fluxo de fiéis veio a necessidade de sucessivas ampliações do tempo.

Em seu livro Tremembé, Vitorino Coelho de Carvalho transcreve informações importantes do Livro do Tombo da Basílica, apontados por vários dos visitadores eclesiásticos. Assim nos dá conta o autor:

Crescendo a “freqüentação” daquele altar, aos 20 de abril de 1672, a Câmara Eclesiástica do Rio de Janeiro concedeu licença para construção da igreja: e nos dizendo respeito as que na sua petição allega, e nos parecer justa, lhe concedemos licença para, como pela presente nossa provisão lhe concedemos, que na dita sua fazenda possa levantar uma Igreja da invocação do Bom Jesus, em logar mais conveniente e afastado das casas da dita fazenda…” Assina o Pe. Francisco da Silveira Dias, Vigário Geral e administrador da cidade do Rio de Janeiro (o texto está transcrito no Livro do Tombo da Paróquia do Bom Jesus L 1 f. 12-13).

Continua informando que no ano 1673, o Pe. Francisco Alves da Fonseca visitou a recém construída Igreja do Senhor Bom Jesus de Tremembé e deixou registrado que encontrou-a

“perfeitamente fabricada e bastantemente ornada para as possibilidades da terra, e certamente que me edificou a devoção do padroeiro dela, pois ele sem mais ajuda de outrem tem gasto sua fazenda em serviço de Deus-Tremembé, 25 de junho de seiscentos e setenta e três”.

http://www.bomjesusdetremembe.org.br/imagens/bj_tmb.jpg

 

Quase um século depois, em 1757,

o Pe. João de Bessa Passos, vigário da vila de Taubaté, a qual pertencia a Igreja de Tremembé, assim a descreveu: “A capela do Senhor Bom Jesus desta freguesia de Taubaté dista uma légua pouco mais ou menos é feita a capela de taipa de pilão e da mesma forma a sacristia, tendo no fim do corpo  seu côro feito de madeira, e coberta de telha vã.

Tradições orais e escritas, atestam que o primitivo edifício foi uma simples ermida com a frente para o lado do Rio Paraíba. Em 1795, porém, a Irmandade do Senhor Bom Jesus já havia aumentado a capela, que foi novamente benzida, como atesta o Pe. Faustino Xavier de Novaes:

“Aos 8 de junho de 1795 por ordem que tive do Ilmo. Sr. D. Arcipreste vigário capitular Paulo

de Souza Rocha, benzi o corpo da igreja desta vila de São Francisco das Chagas de Tahybaté, desde o arco da capela-mór que servira a igreja velha por pequena; assim mais o adro desde a porta principal até o cruzeiro no espaço de oito braças a alguns palmos, mandando-o limitar com dois marcos de cepos altos de grama e os lados serviram de corredores.”

Ainda, de acordo com suas transcrições, o referido religioso teria descrito os implementos da imagem, em quase tudo semelhantes aos das demais (Iguape, Pirapora, Perdões) aqui abordadas:

“Tem um resplendor grande, de prata, uma cana de cobre pintada por fora de verde. Tem o Senhor duas capas de nobreza vermelha, três toalhas de cintura e quatro castiçais de bronze no altar ”.

https://scontent.fcgh9-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-0/p370x247/37948174_1152319814906207_8119350628993466368_n.jpg?_nc_cat=0&oh=14f241c16f2cfe90c689d7d5e2fa7164&oe=5BEDEBB8

A imagem do Senhor Bom Jesus de Tremembé continuou a atrair milhares de fiéis e a beleza de seu Santuário a despertar admiração, sendo reconhecida Matriz Paroquial, recebendo, ao mesmo tempo, o título de Santuário Arquiepiscopal (Livro do Tombo n°1 folha 3). Era o reconhecimento oficial da Igreja aos dois séculos de devoção, e aos 23 de novembro de 1974 o Papa Paulo VI concedeu-lhe a dignidade de Basílica Menor, vinculando-a à Igreja de Roma, podendo usar as chaves pontifícias em seus emblemas.

Ficheiro:Senhor Bom Jesus de Tremembé por Thiago Alves de Siqueira.jpg

Pelos dados fixados por Laurindo de Paula, a imagem pesa 50 kg e tem as seguintes medidas:

Altura: 1,96m

Cabeça: 0,57m

Pescoço: 0,38m

Costas: 0,46m

Tórax: 0,95m

Braços: 0,67m

Punho: 0,21m

Cintura: 0,87m

Pé: 0,23m

Foto:Thiago Alves de Siqueira-

Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Senhor_Bom_Jesus_de_Trememb%C3%A9_por_Thiago_Alves_de_Siqueira.jpg

Revista Catolicismo) http://cultura-catolica.blogspot.com.br/2008/04/senhor-bom-jesus-de-trememb.html

(*) Vitorino Coelho de Carvalho, Subsídios à história de Tremembé, Gráfica São Dimas, São José dos Campos (SP). 1957.

http://www.bomjesusdetremembe.org.br/sant.htm

http://www.bomjesusdetremembe.org.br/imagens/apa_3.jpg

Ficheiro:Interior da Basílica Bom Jesus de Tremembé.JPG

A imagem veneranda no altar em sua Basílica, e exposta à veneração em visita à Basílica Nacional de Aparecida.

Bom Jesus de Pirapora (1724)

Um presente do Tietê

File:Pirapora do Bom Jesus.jpg

Pirapora do Bom Jesus é pequena cidade às margens do rio Tietê em seu curso médio, próxima uma garganta que lhe estreita a largura, originando uma queda (daí seu nome- lugar em que o peixe salta), com pouco mais e 15 mil habitantes, com data de fundação, em 25 de Maio de 1730.

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Situa-se a 54 km de distância do marco zero da Praça da Sé, na Região Metropolitana de São Paulo, integrante dos 39 municípios que a compõem, parte da Região Oeste da Grande São Paulo. É conhecida como importante centro romeiro, recebendo romarias de todo médio Tietê e Grande São Paulo.

Segundo notas escritas por Monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo, sabe-se que as raízes de Pirapora remontam ao ano de 1625, quando três moradores de Parnaíba, pediram sesmarias a D. Álvaro Luís do Vale, Capitão-mor e Ouvidor lugar-tenente do Conde de Monsanto, na Capitania de São Vicente. Este, concedeu-lhes meia légua de terras a cada um, situadas rio abaixo, partindo de Pirapora, lugar em que o peixe salta, referência ao fenômeno da piracema, num tempo em que o rio ainda era vivo, e os moradores, com facilidade, apanhavam os peixes em cestos. Os três favorecidos, Jacome Nunes, Manuel de Alvarenga e Mateus Grou, ali teriam construído suas fazendas.

Em 1725, José de Almeida Naves, sucessor de Jacome Nunes, morador em Parnaíba, possuía terras distantes duas léguas daquela vila, no bairro chamado Pirapora, onde passava a maior parte do ano. Resolveu, então, erigir uma capela sob a invocação do Bom Jesus para atender sua família e a vizinhança. Com a autorização do Cabildo do Rio de Janeiro, a construção teve início em 7 de maio de 1725, e em 1730 recebeu a bênção do Padre Jacinto de Albuquerque Saraiva, vigário de Parnaíba. A 6 de Agosto do mesmo ano, celebrou-se a primeira festa em louvor do Senhor Bom Jesus de Pirapora.

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igreja matriz

Foto: RDKalman – http://www.flickr.com/photos/39826719@N03/6050053322/in/photostream/

Em 1887 a então Capela do Bom Jesus, após uma reforma geral, foi elevada a Santuário, por Dom Lino Deodato de Carvalho, Bispo de São Paulo, e em 28 de dezembro de 1897, foi desmembrado da Paróquia de Santana de Parnaíba, com suas terras adjacentes. Recebe anualmente milhares de peregrinos procedentes de diversas cidades do interior paulista em cumprimento de promessas por graças alcançadas, tradição que se adensa na quaresma, com pico na Semana Santa.

No início de agosto observa-se novo pico nos dias 5 e 6 por ocasião dos festejos do Bom Jesus.

Os romeiros chegam discretamente a pé (são os caminheiros), ou de ônibus, em caminhões, bicicletas, motos, carros ou a cavalo. (1)

Aliás, as romarias a cavalo, ao lado dos puchadores de cruzes, são a marca especial de Pirapora. Cumprem com o prometido: entram no santuário para homenagear o patrono, e aos seus pés deixam seus agradecimentos pela recuperação da saúde do gado pasteado (ervado), pela boa safra nas lavouras; pedem saúde e ‘prudência’ no serviço. Toda sorte de pedidos e agradecimentos de pessoas da roça e da cidade, de todas as classes sociais.

Fotografam-se e fotografam quase tudo, descansam na praça, ou em outro canto da cidade, comem nos bares, restaurantes ou do que trouxeram na matula. Dão umas voltas pela cidade, e empreendem os caminhos de volta.

Como de costume nestes espaços religiosos, multiplicam-se as histórias.

Assim é que o encontro da imagem (sim, porque para a população e devotos, a imagem não foi encomendada em nenhum ateliê, nem saiu da concepção de nenhum artista- ela foi encontrada) é objeto de várias destas histórias, contadas e recontadas, como o faço aqui. Muitas delas cercadas de elementos maravilhosos, como a que dá conta de que José de Almeida Naves, morador de Parnaíba, a encontrou, no seu sítio, situado no bairro chamado Pirapora, por volta de 1725, encostada numa pedra no rio Anhembi, e a levou para sua casa.

Uma outra indica que ‘a aparição’ se deve a um assalto à Capela de Nossa Senhora da Escada, em Barueri. Os saqueadores, teriam jogado as imagens no rio Tietê, e segundo a lenda, a do Bom Jesus de Pirapora teria parado intacta (salva de qualquer arranhão), na pedra em frente ao lugar em se construiu a capela, como a dizer que ali ele quis ficar. E realmente ficou.

Depois de a ter retirado do rio, o fazendeiro mandou guardá-la num paiol de milho, coberta de palha. Pouco depois, foram destruídos por um incêndio a casa e o paiol, nada acontecendo à imagem e à palha de milho.

Mais tarde, numa tentativa de levá-la para Parnaíba, colocaram-na em um carro de bois, com a intenção de a depositarem na Igreja Matriz.

Os bois, porém por mais força que fizessem, não conseguiram arredar um passo. Então, um mudo que nesse dia começou a falar, teria dito:

– Deixem as duas juntas de bois só e voltem para Pirapora.

E elas seguiram para Pirapora. Então nesse mesmo lugar em que a imagem estacionou, o Sr. Sábado d’ Ângelo fez construir uma capelinha.

Uma marca forte da religiosidade de toda esta região do estado são as cruzes arrastadas por penitentes, e depositadas na porta do Santuário. Longas jornadas a pé empreendidas por penitentes advindos de muitas cidades vizinhas, ou mesmo distantes. Muitas delas, possuem rodinhas para facilitar a sua locomoção ou até para minimizar o desgaste pelo atrito com a terra ou mesmo o asfalto. Durante a jornada, que chega a durar uma semana ou mais, dormem na estrada, ou em alguma cidade por onde passam (nas ruas, praças, coretos, etc). Comem dos farnéis que trazem nas mochilas ou em bares. De status sociais diversos, mas sempre muito religiosos e cheios de fé, em geral, partem sozinhos, mas fazem muitas amizades durante sua peregrinação, e não é raro chegarem a Pirapora em grupos. Em suas cruzes, vemos inscritos o nome do penitente, cidade de procedência, a data de saída, e algumas vezes, a graça recebida.

Ao depositarem suas cruzes, sinal do encerramento de suas jornadas, entram na igreja cumprindo os rituais de visita à imagem sagrada e finalizam sua promessa. E, como dito acima, descansam à sobra das árvores, comem, passeiam, andam, conversam e vão embora.

Nos últimos anos tem-se observado um fato novo: cruzes muito grandes, que chegam a ter até 20 metros, arrastadas por grupos de penitentes, em regime de revezamento. Há caminheiros que se organizam em grupos que peregrinam regularmente, alguns destes beirando 50 anos, ou mais, de caminhadas.

Pirapora do Bom Jesus - Sexta feira Santa - Romarias0002

Já quase na entrada da cidade, os caminhheiros, e outros romeiros aproveitam para um descanso, à margem da Estrada dos Romeiros recobrando os ânimos. Ou, por outra, param para descansar depois de feitas obrigações devocionais, enquanto aguardam o ‘resgate’, feito por familiares ou por amigos.

Foto:TM – Sexta Feira Santa- Estrada dos romeiros- Pirapora

Pirapora do Bom Jesus - Sexta feira santa -Romarias0002

Há romeiros fortuitos e grupos fortuitos que peregrinam. Entretanto há grupos regulares, com organizações internas, que chegam a ser complexas em alguns casos. São as chamadas Romarias.

Foto:TM – Sexta Feira Santa- Pirapora – 1981

Pirapora do Bom Jesus - Sexta feira santa -Romarias0001

Muitos grupos de peregrinos, ao final de suas jornadas, depois de cumprirem todas as devoções e obrigações, são resgatados por familiares ou amigos, como no que se observa nestas duas fotos com caminheiros e ciclistas preparando-se para o retorno.

Foto:TM – Sexta Feira Santa – Pirapora – 1981

1-Nos últimos tempos, provavelmente a partir do início deste milênio, o acolhimento às romarias a cavalo vem se tornando um desafio. De permeio aos que viajam por devoção, seguem outros tantos como a participar pura e simplesmente de uma cavalgada: touxeram consigo os perfis e excessos do universo cowntry/ sertanejo dos rodeios e festas de peão. Deixam marcas indesejáveis por onde passam e fazem pousos, de forma especial no ambiente religioso de Pirapora.

As romarias e Sala dos Milagres (*)

Muitos são os romeiros/penitentes que acompanhados de familiares comparecem ao santuário: a menina vestida de anjo, por ter sido curada do mal que a afligia; o homem que se livrou do alcoolismo e ali está assistindo à missa com uma vela de sua altura, acesa; pessoas que assistem à missa inteira de joelhos.

Como em todos os centros de peregrinações, também em Pirapora há uma Sala dos Milagres, cuja instituição foi ordenada a 3 de Dezembro de 1902, por Dom Cândido de Alvarenga, Bispo de São Paulo como depositária dos ex-votos em reconhecimento às graças alcançadas. Nela são acolhidos e mantidos:

– Fotografias registrando o agraciado e o teor da graça, desenhos e pinturas da família ou da pessoa para quem se pediu bênçãos, restabelecimento do cavalo ou outro animal de estimação, pelo sonho que se realizou;

– Cartas, que ora pedem ora contam o alcançado;

– Cabeças e membros de cera, que lembram sempre a parte do corpo recuperada;

– Velas da altura dos romeiros pelas as mais diversas graças alcançadas (cura do alcoolismo, recuperação da saúde, casamento,…).;

– Asas de anjos para lembrar as crianças favorecidas;

– Documentos e certidões ligados a transações comerciais, antes complicadas;

Estandartes, contendo geralmente o nome do romeiro, a data em que chegou a Pirapora, sua procedência, e raras vezes, a graça alcançada.

– Muletas de aleijados que recuperaram a locomoção, óculos de pessoas quase cegas;

– Chumaços de cabelos ou cabeleiras inteiras por variadas graças recebidas em moléstias, representações;

– Até mesmo miniaturas de caixões, já prontos para sepultar crianças ou velhos, e que ficaram desnecessários.

TM: Pirapora 1981

(*) Ressalte-se aqui, que cada um dos santuários mantém, adrede, um “museu de milagres”, geralmente denominado “Sala dos Milagres”, mesmo que de proporções avantajadas , como no caso de Aparecida. A morfologia dos ex-votos, em linhas gerais, é coincidente em todos eles.

As fotos que se seguem são de 1980, e dão uma idéia da situação do rio tietê, no coração da cidade, à frente do Santuário. Suas condições, então, ainda permitiam a balneabilidade, e durante todo o ano os muitos barqueiros ofereciam passeios aos romeiros/peregrinos, em um dos momentos de lazer. O sacro e o profano se confundindo.

O rio Tietê, onde, segundo a lenda, a imagem foi encontrada, e hoje totalmente poluído, passa à frente do Santuário. Um dos traços importantes da Festa de Pirapora, era a procissão fluvial em louvor a N. Sra das Dores, que acontecia sempre na véspera do grande dia (5 de agosto), conduzindo sua imagem rio abaixo, com grande séquito dos barcos que, habitualmente prestavam serviço de lazer aos romeiros.

O Samba de bumbo na Festa de Agosto

Pirapora é reconhecida como tendo sido um dos redutos do samba em são Paulo (ao lado de Campinas, Santana do Parnaíba, Brás, Bixiga e Casa Verde- na capital, e Mauá- na Grande São Paulo).

A este samba Mário de Andrade chamou samba rural, e Rossini, mais argutamente, chamou samba de bumbo, o tambor, neste caso um grande bumbo, sendo reconhecido como centro, como referência da dança. Nesta confluência era significativo o número de sambadores, ficou conhecido também como Samba de Pirapora.

Nesta confluência era significativo o número de sambadores procedentes da Casa Verde. Entretanto o maior contingente de romeiros sambadores era proveniente de campinas, o maior reduto do mesmo.

A cada ano, sem anúncios, os sambadores e sambadeiras tinham encontro espontâneo, aninhando-se nas proximidades do Santuário já na véspera do dia festivo (5 para 6 de Agosto).

Bom Jesus de Perdões (1705)

Bom Jesus dos Perdões é pequeno município na região bragantina, com população um pouco acima dos 13 mil habitantes, ao lado de Atibaia e Nazaré Paulista, fundado em 22 de maio de 1705 por Bárbara Cardoso de Almeida, paulistana, filha de Mathias Cardoso de Almeida e Isabel Furtado (Seu filho frei Mathias Lopes é fundador de Nazaré Paulista).

Depois de tentativas de mudança do nome do município, fixou-se Bom Jesus dos Perdões – conforme o nome de sua capela, fundada em 1705, e seu padroeiro: pela lei 233 de 24 de dezembro de 1948, tomou seu atual nome, e pela lei 5285 de 18/12/1959 criou-se oficialmente o município.

Devido ao grande número de devotos que o distrito acolhia todo ano na festa do padroeiro, em 1948, uma manifestação popular exigiu a adoção do nome Bom Jesus dos Perdões.

A cidade integra o circuito das Bandeiras que partiam de São Paulo com destino à região das Minas Gerais à procura de esmeraldas e pedras preciosas.

Fernão Dias Paes, em sua última bandeira, deixou por ali sua prima, Bárbara Cardoso.

“Bárbara Cardoso de Almeida. Filha de Matias Cardoso de Almeida, natural de ilha Terceira,

Portugal, devota do Bom Jesus, construiu a Capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões em uma vasta fazenda de sua propriedade, no roteiro dos bandeirantes que se dirigiam às minas de Cataguases, nos sertões de Minas Gerais. A Capela foi construída ao lado esquerdo do Rio. Atibainha, em uma suave colina, entre as freguesias de Nossa Senhora de Nazaré e São João de Atibaia, à distância de légua e meia. Para a criação da capela, Bárbara Cardoso de Almeida obteve consentimento do Ex.mo. Bispo de Rio de Janeiro. Teve lugar a benção da referida capela a 22 de maio de 1705 pelo Abade do Mosteiro de São Bento, frei Francisco da Conceição, com a assistência do frei Mathias do Espírito Santo, filho da fundadora. Muito visitada pelos fiéis, logo a igreja foi aumentada, tornando-se matriz Paroquial e Santuário Arquiepiscopal”

Ela foi responsável pela construção de uma capela, que deu origem ao atual Santuário do Senhor Bom Jesus dos Perdões, em estilo barroco, e reformado no início do século 19 por discípulos de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Em 1913, a capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões foi elevada a Santuário Arquiepiscopal. Hoje, como centro religioso reconhecido, recebe anualmente a visita de milhares de turistas e devotos vindos de todas as partes do país.

1705 – Santuário do Senhor Bom Jesus dos Perdões -Diocese de Bragança Paulista

A região integra o ciclo das bandeiras que partiam de São Paulo com destino aos sertões brasileiros à

procura de riquezas minerais. Fernão Dias Paes Leme, em sua última “bandeira”, deixou na região sua prima, Bárbara Cardoso, que estabeleceu-se no local, dando início ao povoado do qual se originaram duas cidades-irmãs: Bom Jesus dos Perdões e Nazaré Paulista.

Senhor Bom Jesus dos Perdões

Escultura bem acima do tamanho natural (2,06m), inteiriça em cedro numa perfeição anatômica e expressão dramática, apoiando-se unicamente sobre os pés. Os braços pendem para frente, unidos nos pulsos. Os músculos descontraídos, apresentando um rosto de expressões exaustas, cheio de amargura e bondade. O dorso é um tanto encurvado, como sustentando um peso excessivo, comprimindo-se o ventre. Além da pequena toalha esculpida na cintura, nada mais encobre ou completa o talhe do corpo. (Extraído da descrição técnica da imagem). (IPHAN- Condephaat)

http://www.bomjesusdetremembe.org.br/imagens/bj_perd.jpg

Como já informado no início desta sequencia, os Santuários históricos do estado de São Paulo (Iguape, Tremembé, Bom Jesus dos Perdões e Pirapora do Bom Jesus) e as igrejas que deles derivam, representam o Bom Jesus na cena em que Pilatos o apresentou ao povo: “Eis o homem!” (Jo 19, 5), flagelado, coroado de espinhos e coberto com o manto púrpura.

Bom Jesus dos Castores (*)

Castores é um distrito do pequeno município (cerca de 4 mil habitantes e uma área de 243,1 km2 ) de Onda Verde, pertencente à Micro Região de São José do Rio Preto.

Se o município foi criado em 1963, entretanto a origem do arraial remonta ao início do século XIX, no povoado dos Castores. Vem de então a devoção de origem não suficientemente elucidada, que se manteve e se avultou ao longo do século passado.

O crescimento da devoção e das romarias, fez com que, no ano de 2002, no dia 06 de Agosto, na Festa do Padroeiro, o Bispo Diocesano Dom Orani João Tempesta decretasse que a Capela do Senhor Bom Jesus dos Castores se tornasse “Santuário Diocesano Senhor Bom Jesus dos Castores”. O Santuário passou a ter vida autônoma.

Quem o frequenta fora do período festivo, encontra um lugar ermo, onde apenas existe uma capela, a velha casa do caseiro e a casa de ex-votos. Entretanto, ao raiar do dia 6 de agosto, o lugar se converte, de repente, em um ambiente cheio de vida, de rumor e movimento, em que não faltam barracas, carros e muita gente.

Se é no mês de agosto que o Santuário fervilha, e faz a cidade fervilhar, durante todo o ano, seguem as visitações em clima tranquilo.

Entretanto a imagem original, cuja história ainda é obscura, bastante deteriorada e mantida como patrimônio de uma das famílias, foi preterida por outra, entronizada pelos meados do século passado.

D:\Castores\2012\Fotos Missa Castores 0hs Gilberto Zorzi\_DSC0597-crop.JPG

D:\Castores\2012\Fotos Missa Castores 0hs Gilberto Zorzi\_DSC0557-crop.JPG

A história da imagem original do Senhor Bom Jesus, alcunhada dos Castores é repleta de lacunas, e pontuada de encantamento (como o fato de ter sido retirada das águas do rio,…). Sua denominação está ligada ao nome de antigos moradores do patrimônio que tinham como sobrenome Castor.

“Segundo contam os moradores mais antigos, proprietários e trabalhadores da zona rural da região, sob a liderança de Thomé de Correia de Paiva, que se estabelecera na região com a família em meados de 1800, propagaram e mantiveram no sertão paulista a devoção ao Bom Jesus. Homem religioso, devoto, mantinha em sua casa as imagens do Bom Jesus, de Sant´Ana e de Santa Clara. Todas as noites, rezava diante delas. Via luzes ao redor da imagem do Bom Jesus e entendeu que esta visão tinha um significado: deveria doar um trecho de suas terras para a construção de uma capela em seu louvor.” ( Nilce Lodi –A devoção Centenária do Senhor Bom Jesus dos Castores de Onda Verde- SP- Edição da Diocese de Rio Preto)

Com a ajuda dos vizinhos, construiu, então, a primeira igreja do Senhor Bom Jesus dos Castores, que ficou conhecida pelo epíteto de Igrejinha de Sapé.

Desta devoção ao Bom Jesus, e das vivências por ela motivadas, ao redor da capela surgiu o povoado dos Castores. Aqueles que por ali passavam faziam suas orações e se sentiam agraciados. Como de costume a notícia foi se espalhando pela região. Cada vez mais pessoas passaram a acorrer e a novena foi ganhando mais força.

A comunidade organizou leilões para arrecadar dinheiro. Os fiéis traziam vacas, novilhas, prendas e doações generosas, e teve início a construção de uma capela de tijolos.

D:\Castores\Fotos Castores 2012\Fotos Procissão e Missa Encerramento Castores 2012\DSC00288.JPG

 

Segundo depoimento de D. Bertolina, filha de Martiniano José Andrade, memória viva da cidade, à Câmara Municipal de Onda Verde, seu pai, Martiniano José Andrade, pessoa muito ativa mobilizou a comunidade para a construção da igreja de tijolos.

Quando completou quinze anos, seu pai teria ampliado a capela e mandou vir outra imagem do Senhor Bom Jesus, a que hoje encontra no Santuário. A imagem chegou junto com seu casamento, (29 de julho de 1917), sendo que seu pai foi buscá-la de carro de boi em São José do Rio Preto.

http://aprovacao.octoti.com.br/camaraondaverde/index.asp?ir=areas.asp&AGCod=2&area=14

De acordo com relatos, foi em 1909 que teria começado oficialmente a peregrinação até Bom Jesus dos Castores. Como soe acontecer no universo das devoções populares, e já apontado acima ao tratarmos da

mesma devoção em outras regiões do estado, os olhares sobre este fato são múltiplos, e compete-nos aqui reverberá-los.

Assim é que o médico e memorialista Wilson Romano Calil publicou artigo em que, a partir de suas memórias, oferece um outro olhar:

“Estou me referindo à história das peregrinações aos Castores porque o que tenho lido não me parece de precisão histórica. Minha versão é a seguinte: a primeira ida, em massa, à igrejinha dos Castores, processou-se em 1946 e foi organizada por dona Guiomar Assad Calil e pelo farmacêutico Rafael Gomes. Um grupo de mais ou menos 100 cavaleiros foi aos Castores e a imagem conduzida em um jipe Wyllis 1945 até Nova Granada onde passou o dia e, no fim da tarde, foi reconduzida ao local de origem. Estávamos no ano de 1946. A partir daí começaram as peregrinações.”

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As romarias, por si mesmas, impõem ao fiel uma série de sacrifícios e incômodos. Por isso, constitui uma prova de verdadeira devoção. Muitos devotos vão do cruzeiro até o altar da capela de joelhos, sem se importarem com os sofrimentos e com os joelhos feridos.

Sua festa, que acontece a cada ano entre os dias 28 de julho e 6 de agosto, teve início ainda no final do século XIX, numa época em que a presença do padre era limitada (só vinha no período de festas), e a vida religiosa da comunidade era alimentada pelos capelães leigos (rezadores de novenas). Eram eles também que preparavam as festividades em seus detalhes, sendo que muitos eram os que espontaneamente se ofereciam para colaborar.

Os fogos eram encomendados, então, em São José do Rio Preto, com a contratação de um fazedor de foguetes.

http://www.cnbb.org.br/site/images/stories/Castores_4.jpg

Atualmente o afluxo de devotos cresce durante a novena preparatória, e se intensifica no último dia quando se estima que a cidade receba cerca de 40 mil peregrinos. Além da programação religiosa, a festa dos Castores inclui quermesse, leilão e cavalgadas.

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D:\Castores\2012\Fotos Procissão e Missa Encerramento Castores 2012\DSC00132.JPG

De 5 para 6 de Agosto acontece a tradicional Caminhada aos Castores, constante de peregrinos de todas as cidades da região, sendo o maior afluxo oriundo de São José do Rio Preto. Aqueles que de lá partem

caminham cerca de 20 quilômetros pela BR-153 até chegar ao santuário, próximo a Onda Verde. A peregrinação começa, por volta das 15h, e conta com um esquema intenso de patrulhamento ao longo do percurso.

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Durante o trecho os romeiros percorrem com notória alegria, fé e esperança estampadas em seus rostos.

Além dos fiéis que fazem a caminhada pedindo ou agradecendo graças alcançadas, outros devotos montam postos de apoio pelo caminho para oferecer alimentos e bebidas aos peregrinos… …gesto fraterno e solidário de famílias que, por devoção, estacionam seus carros pelo caminho, montam barracas e servem bolos, roscas, pães e leite quente, ou refrigerantes para combater o frio e animar os caminhantes.Esta também é uma forma de cumprimento de promessas: acolhendo romeiros em suas jornadas.

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http://aprovacao.octoti.com.br/camaraondaverde/index.asp?ir=areas.asp&AGCod=2&area=14

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Apoio ao romeiro

Neste período a Concessionária Transbrasiliana, que administra a rodovia, em sintonia com a Polícia Rodoviária Federal, monta uma estrutura especial para atender aos romeiros, com sinalização alertando os motoristas sobre a presença de pedestres no acostamento e distribuição de adesivos refletivos aos romeiros.

Ainda visando a segurança dos romeiros o acostamento foi também asfaltado para facilitar a caminhada, e uma ambulância permanece de prontidão em frente ao santuário:

As melhorias na rodovia e aumento de efetivo garantem a segurança dos peregrinos e dos motoristas. Antes, registrávamos muitos atropelamentos, informa a concessionária.

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Agora, com o acostamento asfaltado, a orientação sinalizada para os motoristas e também a consciência dos pedestres, que não caminham pela estrada, são raros os acidentes.

A maior concentração de peregrinos é registrada entre as 18h do dia 5 e o amanhecer do dia 6.

“Mesmo que tenhamos que atender ocorrências em outros pontos da BR-153, esse trecho entre Rio Preto e

Onda Verde estará monitorado.”

https://www.google.com.br/search?q=Rio+dos+castores,+Sp&hl=pt&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=5MYkUZGIOIzW8gSKjIGYAw&ved=0CEsQsAQ&biw=1680&bih=955#imgrc=_

Entre os romeiros misturam-se aqueles que percorrem o caminho há muito tempo, com os muitos que apenas estão dando início a uma jornada de fé.

(*) – Agradeço ao pesquisador Antônio Carvalho, entusiasta pela cultura caipira e pelas coisas da Região da Boiadeira, a indicação desta devoção e a organização de nossa visita ao distrito. Bem como ao Secretário de Cultura (Quem???) de Onda Verde pela disponibilização das fotos da romaria ao Senhor Bom Jesus dos Castores.



Em breve disponibilizaremos o conteúdo.


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