Artesanado de Palha de milho, da cidade de Redenção da Serra. Artesã Giselda. Fotografia de Reinaldo Meneguim

Batuque

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Batuques

Capivari, Tietê e Piracicaba

Dança da família do Jongo, ocorrente na região do Médio Tietê. Até à metade do século passado possuía uma maior abrangência. Hoje permanece em 3 grupamentos: Clube Treze de Maio (Piracicaba), Igreja de Santa Cruz (Tietê) e Sociedade de Batuque de Capivari. Ultimamente foram localizados alguns batuqueiros em Barueri em um núcleo em fase de estruturação.

Quem canta, toca ou dança batuque, é reconhecido como batuqueiro, batuqueira. A devoção a São Benedito os leva a se reunirem em sua festa em Tietê, no último final de semana de Setembro, quando o batuque rola pela madrugada ao raiar do dia. A umbigada, semba ou punga, marca a corporalidade na dança, estruturada em duas fileiras, homens de um lado e mulheres do outro, pares que se provocam com seu leva e traz contínuo e seus giros.
Os instrumentos que conduzem a dança são o tambu, o quinjengue (membranofones) e a matraca (2 baquetas ou pequenos porretes com que se percute no corpo de um dos tambores). O modista empunha um guaiá, um chocalho com que chama o ritmo depois de lançada a trova.

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Foto – R. Meneguin
Criação: Felipe Sacapino

Jongo, Batuque, Caxambu, Candombe, Tambor, são designações de um conjunto de danças, “irmãs siamesas”, ocorrentes em São Paulo, Minas, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

São derivadas, segundo Edison Carneiro (Folguedos Tradicionais), do batuque angolano, que deu origem a um núcleo de danças que são praticadas em grande parte do território nacional, e conservam um dos traços distintivos destas danças de origem bântu: a umbigada, ou semba. Além das peculiaridades que implicam a corporalidade do segmento de nossas danças negro –brasileiras, e já expostas na introdução deste tópico.

Segundo a descrição de Alfredo Sarmento, bastante difundida, em Luanda e outros distritos de Angola,

“o batuque consiste também num círculo formado pelos dançadores, indo para o meio um homem ou uma mulher, que, depois de executar vários passos, vão dar uma umbigada, a que chamam de semba, na pessoa que escolhe, a qual vai para o meio do círculo, substituindo-o”.

Durante o período colonial designava-se, genericamente,por batuque qualquer tipo de música percussiva ou dança praticada pelos negros. Por isto as mesmas são também, genericamente, designadas por umbigada. E, ao que consta, matriz dos nossos sambas.

Sobre o Batuque em Tietê, sua terra, bem como referindo-se à sua distinção com o samba, assim Cornélio Pires verteu seu olhar (lembrando que suas observações se referem ao vigente no primeiro quartel do século XX):

Dança de pretos. Formam roda de sessenta e mais pessoas, que cantam em côro os ultimos versos do “cantador” e ao som dos tambús, – tubos de madeira com uma pelle numa das extremidades e que produz sons altos com diversas graduações, – requebram e saltam homens e mulheres, dando violentas umbigadas uns contra os outros. Usa-se tambem nessas dansas, o quingengue – semelhante ao tambú, tendo inteiriça a metade do volume. O compasso é marcado também com palmas. Hoje raramente dansa-se o batuque. Confundem-no com o jongo e este com o samba. . . Batuque é dansa de negros e o samba é dansa de caboclos…

E referindo-se especificamente ao Samba, assim se expressa o autor, não sendo demais acrescentar que estas informações são aqui alocadas com intenção de causar inquietação:

Dansa de caboclos. Nada tem com o jongo africano hoje dansado em todo o Brasil. O samba é dansa de caboclos, com violas, adufes e pandeiros. Ao canto e côro os dansarinos em tregeitos tiram as damas e estas aos cavalheiros, sem se tocarem, dansam e voltam aos seus lugares. Sambas, jongo e batuques; batuqueiros, jongueiros, sambadores e sambeiros.

O Batuque em São Paulo tem sua ocorrência hoje adstrita à região do Médio Tietê. Até à metade do século passado possuía uma maior abrangência. Hoje organizam-se em 3 grupamentos: Clube Treze

de Maio (Piracicaba), Igreja de Santa Cruz (Tietê) e Sociedade de Batuque de Capivari. Ultimamente foram localizados alguns batuqueiros em Barueri, com um núcleo em fase de estruturação.

O Batuque de Tietê é parte preciosa da herança deixada pelos antigos escravos. Conserva, inclusive, o nome com que provavelmente era denominada em Angola, como dito acima. Mantém hoje firme a tradição das danças de terreiro que um dia dominaram o Vale do Tietê.

Empunhando um guaiá (um tipo de chocalho) o modista puxa o canto e marca o rítimo, sustentado em seguida pelos tambores tambu e quinjengue, complementados pela matraca (um par de pequenos cacetes que são usados para percutir nas laterais dos tambores).

A movimentação se dá por pares soltos que, postados em fileiras confrontadas, homens de um lado e mulheres de outro, circulam livremente pelo terreiro, com passos laterais, quase que arrastados ou pesados. A certa altura, erguem os braços, inclinam ligriramente os corpos para trás, e dão- se batida firme com os ventres. É a punga, semba, ou umbigada, ato repetido simetricamente, sempre induzido pela marcação dos tambores.

Com seu leva e traz, seus meneios e suas umbigadas, ao som do tambu, do quinjengue, da matraca, guaiá e puíta, mantem-se vivo nos municípios de Tietê, Piracicaba e Capivari. Mais recentemente vem se “reacendendo” o núcleo do Batuque de Barueri. Alguns dançadores mais hábeis aproveitam para executar firulas ou manobras no exato momento que antecede a punga, sem perder o passo.

Foto: Reinaldo Meneguim

Plínio, Dado, Herculano, Bomba, Romário, João Luís, Tô, Fio, são figuras emblemáticas do batuque no presente. Destaque-se, de forma especial Anecide, de Capivari, por seu carisma, sua voz possante, sua musicalidade.

Foto: Reinaldo Meneguim

Quem canta, toca ou dança batuque, é reconhecido como batuqueiro, batuqueira, e a devoção a São Benedito os leva a se reunirem em sua festa em Tietê, no último final de semana de Setembro, quando o batuque rola pela madrugada ao raiar do dia.

Foto: Reinaldo Meneguim

A umbigada, semba ou punga, marca a corporalidade na dança, estruturada em duas fileiras, homens de um lado e mulheres do outro, pares que se provocam com seu leva e traz contínuo e seus giros.

Foto: Reinaldo Meneguim

Os instrumentos que conduzem a dança são o tambu, quinjengue (membranofones) e a matraca (2 baquetas ou pequenos porretes com que se percute no corpo de um dos tambores). O Modista empunha um guaiá, um chocalho com que chama o ritmo depois de lançada a trova.

Foto: Reinaldo Meneguim

 

Grupo Município a que pertence
Grupo de Batuque de Umbigada Piracicaba, Capivari e Tietê
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