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Abaçai

Ética Planetaria

análise, reflexão e propostas

Prof. Dr. Guilherme Assis de Almeida

Hannah Arendt, uma das mais destacadas filósofas e cientistas políticas do século XX, criou uma definição de poder em que não existe a noção de violência - a convivência pacífica entre homens e mulheres propicia a ação conjunta, que por sua vez gera poder. Essa ação conjunta possibilita, por meio da palavra, a revelação de cada indivíduo na sua singularidade.

A ausência da violência é imprescindível, pois na comunicação humana não se objetiva atingir determinado fim, mas descobrir uma meta comum que sirva como elemento aglutinador. Quando a palavra é usada apenas para atingir um fim específico, ela perde sua característica de revelação, isto é, seu sinal mais distintivo.

No século XX, foi Mahatma Gandhi, através do satyagraha, quem melhor levou à prática a teoria arendtiana do poder enquanto agir conjunto. A ação política gandhiana é simples e inovadora, baseia-se em três pontos fundamentais:

  1. a não-violência (ahimsa) como princípio da ação;

  2. satyagraha como forma de resistência (greve, desobediência civil, jejum), que se apoia num exame criterioso dos fatos e num sincero empenho para entender o adversário; e,

  3. o exercício da não-violência ativa para evidenciar a injustiça da situação.

O objetivo a ser alcançado é a libertação coletiva e individual (swaraj), lembrando sempre que os fins, por nobres que sejam, nunca justificam o abuso do poder nem da autoridade.

Prof. Dr. Guilherme Assis de Almeida, doutor pelo Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Universidade de São Paulo. Ex-consultor jurídico do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e, atualmente, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da USP. É co-autor do livro Curso de Filosofia do Direito, e autor de Direitos Humanos e Não-violência, ambos da Editora Atlas.